Enfermagem diante da morte

Disponível somente no TrabalhosFeitos
  • Páginas : 17 (4186 palavras )
  • Download(s) : 0
  • Publicado : 9 de julho de 2012
Ler documento completo
Amostra do texto
A enfermagem diante da morte.

Resumo: O objetivo deste trabalho foi conhecer as concepções de morte para técnicos de
enfermagem que lidam com pacientes terminais em um hospital público da Grande Vitória.
Pretendeu-se apreender como esses profissionais lidavam com a morte e como isso interferia
em suas vidas cotidianas e em suas rotinas de trabalho. Para atingir os objetivos propostos,realizaram-se observações participantes registradas em um diário de campo e entrevistas
semiestruturadas que foram gravadas e transcritas na íntegra. Os dados foram submetidos
à análise qualitativa que foi entendida como um processo de produção de sentido. Nessa
análise, destacaram-se quatro grandes temas: a concepção de morte, o lidar/enfrentar a
morte, os sentimentos ante o óbito e ainterferência na vida cotidiana e no trabalho. Os
dados indicaram que a concepção de morte mais encontrada no grupo pesquisado foi a de
que a morte é um acontecimento normal que faz parte da rotina de trabalho, mas é um tema
que deve ser evitado. Considera-se que isso acontece pelo fato de que pensar a morte e
considerá-la em profundidade é algo doloroso para o homem, podendo trazer à tona lembranças
deoutras perdas. Para evitar o contato com a morte, o profissional se apropriava de
uma rotina de trabalho acelerada.

(“Sofrimento
psíquico de trabalhadores da saúde”, composto por dois subprojetos diferentes: 1. “A influência do cotidiano
hospitalar como produtor de sofrimento psíquico em trabalhadores de enfermagem” e 2. “Representação de
morte para profissionais da área de enfermagem”)Introdução
A lógica de produção capitalista a que estamos submetidos determina aos trabalhadores, muitas vezes, a renúncia de questões singulares em detrimento de exigências de mercado, o que pode implicar agressões à vida e à sua saúde. O meio hospitalar igualmente exige de seus funcionários um posicionamento desconectado de suas vivências e de seus sentimentos. Segundo Angerami (1994), oshospitais são instituições despersonalizadas em que não é permitido a esses profissionais manifestar seus sentimentos. Devem, ao contrário, se manter firmes diante das adversidades da situação de trabalho.
A morte é conhecida somente mediante o processo de morrer de outros, cujas vivências nunca serão acessíveis em sua real dimensão. Mesmo constituindo um fenômeno da vida, sempre despertou medo no serhumano, e esse sentimento, muitas vezes, é expresso na dificuldade de ele lidar com a finitude e, com isso, torna-se presente nas crenças, nos valores e na visão de mundo que cada um traz consigo. A morte é considerada um acontecimento medonho, espantoso, mesmo tendo-se o conhecimento de que o homem é capaz de dominá-la em diversos níveis (KÜBLER-ROSS apud PALÚ, LABRONICI; ALBINI, 2004).Antigamente, a morte era vivenciada por toda a comunidade, e essa convivência permitia que os indivíduos pensassem na possibilidade de sua própria morte, o que lhes caracterizava a sua finitude, que era expresso por meio de certos tipos de comportamentos, como quando participavam ativamente de todo o ritual fúnebre (MOREIRA; LISBOA, 2006).
Os hospitais, ao assumirem o papel de administrar o incômodo doadoecer, que antes
era vivenciado nos lares, desenvolvem técnicas voltadas para o prolongamento da vida e o adiamento da morte. Para tanto, constrói-se histórica e socialmente um processo de trabalho em que o poder e a técnica tentam diluir o impacto e os mais variados sentimentos que emergem nesse ambiente (PITTA, 1990).
Um aspecto importante do trabalho no contexto hospitalar é a necessidade delidar
com a morte. Com os avanços da medicina, o tema da morte, de certa forma, afastou-se do cotidiano das pessoas, o que resultou numa mudança em relação ao modo de lidar com a morte, que antes era tratada com certa naturalidade. Mudou-se, então, a forma de conviver com a morte, com o morrer e com os pacientes prestes a morrer (KÜBLER-ROSS,1998).
Kovács (1992) afirma que a diferença básica...
tracking img