ENCONTROS E ENCANTAMENTOS PARA A EDUCAÇÃO INFANTIL ( LUCIANA ESMERALDA OSTETTO

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ANDRADE, Cyrce M. R. Junqueira ― Vamos dar a meia-volta, volta e meia vamos dar: o brincar na creche. In: OLIVIERA, Zilma de Moraes R. de (org.). Educação Infantil: muitos olhares. 9ª ed. São Paulo: Cortez, 2010, p. 69.

Ciranda, cirandinha, vamos todos cirandar, vamos, dar a meia volta…

A compreensão da perspectiva sócio-histórica da educação não ocorre de forma linear, isto quer dizer,que tal compreensão resulta da apreensão da dialética, implicando na análise de tempo e espaço, de forças em oposição. A dialética somada ao materialismo histórico resulta na forma de análise de fatos e dados em forma de ida e volta – uma verdadeira ciranda, cirandinha de questionamentos e interpretações -, ou seja, apresenta-se em espiral. Então, vamos todos cirandar…

Compreendemos que aeducação infantil tem se organizado ao longo da história das sociedades ocidentais a partir do século XVIII, como resposta a situação de pobreza, abandono e maus tratos de inúmeras crianças, cujo, os pais trabalhavam em fábricas e minas de carvão, criadas desde o surgimento da revolução industrial na Europa. Seu objetivo principal era atender as camadas mais carentes da sociedade. Dentro dessa perspectivaeducacional com as crianças destacamos que ela resume-se apenas no cuidado e no zelo com a higiene.

Para compreendermos como se constitui a educação infantil torna-se necessário problematizar: quem move a grande roda da historia? Marx aponta que a “historia é a passagem de um sistema de produção a outro”, assim a problematização do processo histórico perpassa pelas relações de produção da vidamaterial dos sujeitos. Marx (1990), ao problematizar apropriação do trabalho pelo capital, enfatiza que a industrialização em processo permitiu o emprego de trabalhadores com pouca força muscular e com membros mais flexíveis, o que possibilitou ao capital absorver as mulheres e as crianças nas fábricas.

O capital estabeleceu um meio de diversificar os assalariados, colocando, nas fábricas,todos os membros da família do trabalhador, independentemente do sexo e da idade de cada um – as mulheres e crianças executavam os mesmos trabalhos que os homens, porém seu salário era inferior. Na realidade, apesar do aumento significativo do número de trabalhadores, os homens foram, em parte, substituídos pelas mulheres. Essa apropriação do trabalho é apropriação do tempo de vida dos indivíduos quepara garantir sua subsistência submetiam-se a longas e duras jornadas de trabalho. Assim sendo abordamos o conceito de trabalho abstrato de Marx (1990) e o dispêndio de força de trabalho médio, medido pelo tempo de trabalho socialmente necessário.

Toda força de trabalho da sociedade, – que se revela nos valores do mundo das mercadorias, – vale, aqui, por força de trabalho única, embora seconstitua de inúmeras forças de trabalho individuais. Cada uma dessas forças individuais de trabalho se equipara às demais, na medida em que possua o caráter de uma força média de trabalho social, e atue como essa força média, precisando, portanto apenas do tempo de trabalho em média necessário ou socialmente necessário para a produção de uma mercadoria. Tempo de trabalho socialmente necessário é otempo de trabalho requerido para produzir-se um valor-de-uso qualquer. (Marx, 1990 p. 45-46)

Assim sendo, considera-se que o surgimento da indústria moderna alterou profundamente a estrutura social – os hábitos e costumes das famílias. Ou seja, com o aumento da demanda de trabalho torna-se necessário a força produtiva, assim destaca-se que para a produção de mercadorias foi utilizada a grandeoferta da mão-de-obra dos homens e mulheres, desta forma as mulheres não tinham mais o tempo necessário para cuidar de seus filhos. Em função da crescente participação dos pais no trabalho das fábricas, fundições e minas de carvão, surgiram outras formas de arranjos de serviços de atendimento das crianças.

Primeiramente as mães deixavam seus filhos com outras mulheres conhecidas, a segunda...
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