Empregabilidade e carreira

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Mercado informal, empregabilidade e cooperativismo: as transformações das relações de trabalho no mundo contemporâneo

Empregabilidade e carreira
Sigmar Malvezzi23

sociedade dos nossos dias pode ser caracterizada pela peculiaridade de ter testemunhado, em curto espaço de tempo, a transição da engenharia de tarefas (tecnologia eletromecânica) para a globalização (tecnologia dateleinformação). Teria essa mudança um impacto significativo na formação e capacitação para os empregos? Altera-se a probabilidade de obtenção e manutenção dos empregos? Para enriquecer a reflexão produzida neste evento, vamos tratar dessas questões. O processo de globalização consiste num conjunto integrado de mudanças que tem como dimensão ontológica a compressão do espaço e do tempo. Pela tecnologia dateleinformação, podemos manobrar máquinas distantes de nós, dar aulas a múltiplas classes, ao mesmo tempo, e realizar uma reunião na qual pessoas, embora localizadas em cidades distintas falam e discutem entre si, tentam persuadir umas às outras, como se estivessem numa reunião numa mesma sala. Essas possibilidades são exponenciadas pela associação a outros fatores a elas interdependentes. Odesenvolvimento científico e tecnológico é veloz em quase todas as áreas do saber, possibilitando a contínua incorporação de nova instrumentalidade aos negócios, alterando seu equacionamento econômico. Isto implica que a manutenção e desenvolvimento dos negócios (e consequentemente, dos empregos) depende da atualização tecnológica enquanto conteúdo e enquanto velocidade de incorporação de novas tecnologiasque tem potencialidade de afetar não apenas o custo e o tempo de produção, mas a incorporação de valores que melhor atendem as necessidades e expectativas dos clientes. Como conseqüência dessa contínua alimentação da competitividade através do desenvolvimento da organização da produção temos produtos mais baratos e mais acessíveis, e crédito automático estimulando, por sua vez a produção. Esse fatoexplica a decadência da indústria. A renovação industrial é muito cara e mais difícil de ser operacionalizada porque seus fluxos de transformação são de natureza hardware. Ao montar-se uma empresa para produzir canetas, é importante saber que seu preço de custo pode cair pela simples incorporação de uma nova tecnologia. Desse modo, essa empresa só sobreviverá se se adaptar e se produzir em maiorquantidade. Essa contínua adaptação é um problema sério: basta ver que tínhamos há algumas décadas atrás 26 ou 27 indústrias de televisão no país e, hoje, elas não passam de 6 ou 7 e esse número ainda vai cair mais. Pode-se concluir desses fatos que o desenvolvimento tecnológico elimina os empregos industriais. Essa nova condição dos negócios, altera o papel dos sindicatos. Como defensores dosempregos, os sindicatos arcam com o ônus do acompanhamento da evolução tecnológica e da vigilância sobre a atualização das empresas. Na sociedade globalizada, a manutenção dos empregos depende do ritmo da competitividade e do acompanhamento de seus passos. As regras do jogo foram alteradas, como se percebe nas freqüentes turbulências que reorganizam os mercados, dos quais os empregos dependem, porisso, em certo sentido, os sindicatos têm sido obrigados a se aliarem à classe produtora. Qual o problema que as empresas enfrentam hoje? A mesma sina dos trabalhadores: a sobrevivência. Não há empresa hoje que, em se descuidando de seu ajustamento ao mercado e às regras da competitividade, não corra riscos de sobrevivência. Todos conhecemos casos de empresas grandes ou tradicionais e sólidas queperderam rapidamente competitividade e enfrentaram enormes dificuldades para se
23 Professor do Departamento de Psicologia Social e do Trabalho do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas.

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Cadernos de Psicologia Social do Trabalho, 1999, 2...
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