Educação de jovens e adultos

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  • Publicado : 26 de março de 2011
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Educação de Jovens e Adultos: história e metodologias

Introdução

Este breve artigo pretende analisar à luz de acontecimentos históricos o panorama geral das abordagens metodológicas mais comumente utilizadas na Educação de Jovens e Adultos, na atualidade. É sabido que a Educação é um fenômeno social, cultural e político, e portanto, nunca ocorre isoladamente num determinado gruposocial. Ela decorre de fatores temporais, como valores e épocas, de fatores culturais, como a religião, a ética e a história de certo povo e é intimamente integrada com os demais aspectos da vida humana.
Tendo em vista que esta teia é determinante para o tipo de Educação que se busca instaurar, pretende-se aqui recuperar alguns acontecimentos históricos e políticos que, definitivamente vêemmodelando o que um dia já chamou-se mobral e que hoje denominamos Educação de Jovens e Adultos. Trabalharemos com duas abordagens metodológicas buscando compreender suas causas e implicações, são elas : a abordagem tradicional e a abordagem sociocultural, nomenclaturas cunhadas por Souza.

A abordagem Tradicional

Na verdade a corrente metodológica Tradicional utilizada na Educaçãono geral e mais especificamente em Educação de Jovens e Adultos, doravante EJA, na atualidade já apresenta-se mesclada devido a diversos estudos e pesquisas que vem tendo desenvolvidas, aplicadas e testadas. Mas, para que compreendamos seus alicerces devemos nos remeter ao principio do Capitalismo, pois foi sua constituição, marcada pelas revoluções burguesas na Europa, que garantiu a propagaçãodos valores desta abordagem educacional. Entre os séculos XVI e XVIII, os emergentes comerciantes, limitados pelo poderio dos reis absolutistas uniram forças com a população em geral para exigir uma ruptura e um remodelamento das relações de troca. Mediante inúmeros conflitos de interesses, a nova ordem econômica foi responsável por uma gigantesca expansão comercial e tecnológica; os meios deprodução passaram a ser privados e não mais de um senhor ou rei. A lei máxima passa a ser a manutenção de uma balança comercial favorável, ou seja, a garantia do Lucro.
O poder dos reis dilui-se gradativamente e o Estado tende a influir cada vez menos na economia. O auge deste processo vem a ser o Estado-mínimo, organização social em que a interferência do Estado na economia é praticamente nula.“Os fins justificam os meios” é uma assertiva bastante interessante para se caracterizar como as relações comerciais vieram moldando estratégias de guerra, de organização social e de valores humanos.
É fato que, desde a colonização, há uma elite que pensa sobre a Alfabetização de Adultos no Brasil: seja com intuito de catequizar os índios ou para que a Corte possa legislar sobre seus colonos, aimportância da Alfabetização sempre pautou-se num caráter explorador e opressivo. No Brasil as Revoluções Burguesas emitiram seus ecos de diversas maneiras, mas urge destacarmos um momento histórico muito representativo para este recorte: a Abolição da Escravatura, que relativamente à Alfabetização de adultos apresenta aspectos de interesse político bastante semelhantes.
A necessidade deexpansão do mercado consumidor foi a grande alavanca para a determinação do fim da escravidão no Brasil, portanto este ato não teve de fato um caráter político emancipatório. Os ex-escravos que saíam de suas fazendas viravam mendigos, ladrões, e culminariam tempos mais tarde pela ocupação de morros e favelas nas periferias dos grandes centros urbanos, pertencendo a uma classe evidentementedesprezada pelo sistema social. Da mesma forma, a alfabetização de adultos veio servir ao interesses do capital, objetivando ampliar-se a gama de pessoas que pudessem ir às urnas simplesmente assinando seus nomes, pessoas que fossem capacitadas para operar máquinas, lendo manuais, etc. Na realidade o Brasil sofria, como sofrem os países emergentes, grande pressão de imperialistas exploradores e...
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