Economia

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  • Publicado : 24 de fevereiro de 2013
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Sociologia Econômica - Ação Econômica e Estrutura Social: O Problema da Imersão

Na obra “Ação econômica e estrutura social: o problema da imersão” o autor Mark Granovetter inicia mostrando que Uma das questões clássicas da teoria social é como os comportamentos e as instituições são afetados pelas relações sociais. Como essas relações estão invariavelmente presentes, a situaçãocriada por sua ausência poderia ser imaginada somente por meio de esquemas mentais, como o “estado da natureza” de Thomas Hobbes ou a “posição original” de John Rawls. Grande parte da tradição utilitarista, inclusive a economia clássica e a neoclássica, pressupõe um comportamento racional e de interesse pessoal minimamente afetado pelas relações sociais, invocando, assim, um estado idealizado nãomuito distante desses esquemas mentais. No outro extremo reside o que chamo de proposta da “imersão” (embeddedness): o argumento de que os comportamentos e as instituições a serem analisados são tão compelidos pelas contínuas relações sociais que interpretá- los como sendo elementos independentes representa um grave mal-entendido.
Por muito tempo a visão dominante dos sociólogos, antropólogos,cientistas políticos e historiadores tem sido a de que esse comportamento se encontrava profundamente imerso nas relações sociais em sociedades pré-mercantis mas se tornou muito mais autônomo com o advento da modernização. Essa visão interpreta a economia como uma esfera diferenciada e cada vez mais separada na sociedade moderna, com transações econômicas não mais definidas por obrigações sociaisou de parentesco, mas por cálculos racionais de ganho individual. Por vezes chega a se argumentar que a situação tradicional foi invertida: em vez de a vida econômica estar submersa nas relações sociais, essas relações se tornaram um epifenômeno do mercado. A perspectiva da imersão está associada à escola “substantivista” na Antropologia, representada especialmente por Karl Polanyi (1944; Polanyi,Arensberg e Pearson, 1957), e à idéia de “economia moral” em história e em ciência política (Thompson, 1971; Scott, 1976). Ela também possui uma clara relação com o pensamento marxista.
No tópico “Concepções super- e subsocializadas da ação humana na sociologia e na economia” Granovetter começa recordando a advertência de Dennis Wrong, em 1961, sobre uma “concepção supersocializada do homemna sociologia moderna” – uma concepção das pessoas como decisivamente sensíveis às opiniões dos outros e, portanto, obedientes às diretrizes ditadas por sistemas consensualmente desenvolvidos de normas e valores, interiorizados por meio da socialização, de forma que a obediência não é percebida como um peso. O fato de essa concepção ter sido proeminente em 1961 foi em grande parte resultado doreconhecimento de Talcott Parsons do problema da ordem conforme proposto por Hobbes em sua própria tentativa de solucioná-lo transcendendo a concepção atomizada e subsocializada do homem na tradição utilitarista da qual Hobbes participou (Parsons, 1937, p. 89-94).

Em contraste, as economias clá ssica e neoclássica se baseiam em uma concepção atomizada e subsocializada da ação humana, dandocontinuidade à tradição utilitarista. Os argumentos teóricos rejeitam por hipótese todo impacto da estrutura social e das relações sociais sobre a produção, a distribuição e o consumo. Em mercados competitivos, nenhum produtor ou consumidor notadamente influencia a demanda ou a oferta agregada, e, portanto, os preços ou outros termos de troca.
Já no tópico “Imersão confiança e má-fé na vidaeconômica” Granovetter expõe que a partir de 1970, os economistas têm demonstrado maior interesse pelas questões anteriormente negligenciadas da confiança e da má- fé. Oliver Williamson observou que atores econômicos reais se pautam não somente pela busca de seus próprios interesses, mas também pelo “oportunismo”. Isso revela um curioso pressuposto da teoria da economia moderna, de que o interesse...
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