Economia

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Economias de Escala e de Escopo: Desmistificando alguns Aspectos da Transição
Cláudio Szwarcfiter
Doutorando do DEI/PUC-Rio

Paulo Roberto T. Dalcol
Professor Associado, PhD Departamento de Engenharia Industrial, PUC-Rio. Rua Marquês de S. Vicente, 225, Gávea, Rio de Janeiro, RI. E-mail prtd@rdc.puc-rio.br

Palavras-chave: economias de escala, economias de escopo, mudança técnica.Keywords: eco no mies of scale, economies of scope, technical change.

RESUMO
Nas duas últimas décadas, o mundo industrial assistiu a urna crescente fragmentação e segmentação dos seus mercados, especialmente para o setor de bens de consumo ·duráveis. O resultado consiste na crescente dificuldade para a exploração das economias de escala 'tradicionais' por meio de equipamento altamente especializado ea produção de bens padronizados. Daí a recente ênfase no conceito de economias de escopo. Entretanto, várias conclusões imprecisas são encontradas na literatura referentes à transição de economias de escala para economias de escopo. O propósito deste artigo é identificar algumas dessas conclusões e introduzir argumentos no sentido e organizar a discussão sobre o assunto.

ABSTRACT
In lhe lasltwo decades, lhe induslrial world witnessed an inlensifYingfragmenlalion and segmenlalion ofits markels, especial/y for lhe consumer durable goods. The upshol is lhe ever-increasing difficulty for lhe exploralion of 'Iradilional' economies ofscale by means ofhighly specialised equipmenl and produclion of slandardised goods. Thus, lhe recenl vogue of lhe concepl of economies of scope. Neverlheless,various inaccurale conclusions in relalion lo lhe Iransilionfrom economies ofscale lo economies ofscope are found in lhe lileralure. The aim oflhis paper is lo pinpoinl some oflhese conclusions and Iry lo inlroduce some argumenls in order lo organise lhe discussion on lhe subjecl.

Belo Horizonte, Vo17, N° 2, p.1l7-129

Nov.1997

117

PRODUÇÃO

1. Introdução
Nos últimos tempos,verifica-se uma crescente tendência à segmentação dos mercados consumidores, afastando-se cada vez mais dos tradicionais mercados de produtos padronizados, inerentes ao paradigma industrial baseado na produção em massa. O resultado mais importante do fenômeno consiste na crescente dificuldade de as firmas se organizarem nos moldes do Fordismo, com a exploração de economias de escala por meio deequipamentos rígidos que produzem bens estandardizados em grandes lotes para diluir, no custo unitário dos produtos, o alto investimento realizado nesses equipamentos. Assim, toma-se patente a necessidade de mudanças fundamentais na organização da produção. Apesar de ser possível, até mesmo através de simples observação empírica, apontar várias novas características nos sistemas produtivos hoje, valelembrar que a atual fase pela qual passam esses sistemas ainda caracteriza-se como uma transição de paradigmas e, por isso, a identificação das características como sendo realmente e de fato integrantes do novo paradigma consiste em ato de mera especulação, desprovido de cientificidade. Apesar disso, existe um fio sólido que costura toda a presente fase de grandes mudanças na organização industrial: atransição das economias de escala para as economias de escopo. Em outras

palavras, as firmas que outrora produziam bens estandardizados por meio de equipamentos rígidos e dedicados, auferindo economias de escala, hoje procuram produzir bens com variedade crescente por meio de equipamentos flexíveis, explorando economias de escopo, transição esta possibilitada pelo advento das novas tecnologiasde base microeletrônica. entanto, a literatura No freqüentemente apresenta essa transição de uma forma confusa que conduz a conclusões errôneas. Talvez a principal conclusão equivocada seja a de que a possibilidade de produzir em lotes menores, aberta pela exploração de economias de escopo, implica na possibilidade de exploração dessas economias por pequenas firmas, acabando assim com as...
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