Economia

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Estudos Avançados
Print version ISSN 0103-4014
Estud. av. vol.12 no.34 São Paulo Sept./Dec. 1998
doi: 10.1590/S0103-40141998000300019 
ECONOMIA
 
A lógica da economia global e a exclusão social
 Gilberto Dupas
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RESUMO
O CONTÍNUO AVANÇO tecnológico global não parece estar garantindo que as sociedadesfuturas possam gerar, unicamente por mecanismos de mercado, postos de trabalho – ainda que flexíveis – compatíveis em qualidade e renda com as necessidades básicas da população mundial. A lógica da globalização e do fracionamento das cadeias produtivas incorporou parte dos bolsões de mão-de-obra barata mundiais sem necessariamente elevar-lhes a renda. Os postos de trabalho formal crescem menos queos investimentos diretos. Se, por um lado, surgem oportunidades bem remuneradas no trabalho flexível, por outro, o setor informal também abriga o emprego muito precário e a miséria. E, especialmente nos países da periferia, os governos – comprometidos com a estabilidade – não têm orçamento suficiente e estruturas eficazes para garantir a sobrevivência dos novos excluídos. O paradigma do empregoestá em definitiva mudança, e há inúmeras razões para preocupação quanto ao futuro da exclusão social no novo século.
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ABSTRACT
CONTINUOUS GLOBAL advances in technology have apparently failed to ensure to future societies the ability to create flexible jobs exclusively through the use of market mechanisms, commanding income levels and being of such character that arecompatible with the basic needs of the world population. The logic behind globalization and the segmentation of productive chains have, in part, absorbed pockets of cheap labor throughout the world without necessarily providing their workers with higher income levels. Formal employment is growing at a lower rate than direct investments. If, on the one hand, there are emerging and well compensatedopportunities in the flexible labor market, on the other, the informal sector also spans precarious, insecure jobs and poverty. In the peripheral countries, particularly, governments – which are commited to stability – simplely do not have the funding and sufficiently effective structures to ensure the survival of the newly excluded. The employment paradigm is undergoing a definite shift, andthere are myriad reasons for concern about the future of social exclusion in the new millenium.
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 Como definir a exclusão social?
Por uma série de razões, começa a se generalizar – tanto em países centrais como nos menos desenvolvidos – a sensação de que a exclusão social estaria aumentando. No entanto, apesar de seu uso amplamente disseminado e de sua influência nodiscurso político, o termo exclusão social ainda não foi devidamente definido.
A partir da década de 80 observou-se a intensificação do processo de internacionalização das economias capitalistas, que se convencionou chamar de globalização. Algumas das características distintivas desse processo foram a enorme integração dos mercados financeiros mundiais e o crescimento singular do comérciointernacional – viabilizado pelo movimento de queda generalizada de barreiras protecionistas e pela crescente presença de empresas transnacionais.
Na Europa, a discussão sobre exclusão social apareceu na esteira do crescimento dos sem-teto e da pobreza urbana, da falta de perspectiva decorrente de desemprego de longo prazo, da falta de acesso a empregos e rendas por parte de minoriasétnicas e imigrantes, da natureza crescentemente precária dos empregos disponíveis e da dificuldade que os jovens passaram a ter para ingressar no mercado de trabalho.
Wolfe (1995) associa a preocupação com exclusão social à ameaça que grupos, até recentemente integrados ao padrão de desenvolvimento vigente, têm sofrido de serem marginalizados, concretizada em muitos casos, criando uma classe...
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