Economia

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ECONOMIA E MERCADO MARCELO MELLO Desenvolvimento econômico e economia brasileira SEPI AO VIVO 23/04/12 Texto complementar

Relações Internacionais e política externa do Brasil: uma perspectiva histórica

Paulo Roberto de Almeida Doutor em Ciências Sociais, diplomata (pralmeida@mac.com; www.pralmeida.org) Publicado in Atas do Simposio Brasil 500 anos depois (A Coruña: Imprenta da DeputaciónProvincial da Coruña, 2002; ISBN: 84-95950-67-7; pp. 255-269).

Integrado como território produtivo nos circuitos do capitalismo mercantil durante a fase da primeira globalização, que corresponde aos grandes descobrimentos europeus, o Brasil começa a se constituir como povo e como nação no curso de três séculos de colonização portuguesa. Não há estado ou poder político autônomo, daí a ausência derelações internacionais próprias, que não aquelas determinadas de modo reflexo pelo poder metropolitano.

A transferência da sede da monarquia opera uma primeira experiência de política externa, mas o sentimento nacional só se consolida a partir da constituicao do Estado independente. A lenta afirmação de uma política exterior nacional se faz ao longo da segunda fase da globalização capitalista,quando ocorrem a primeira (máquina a vapor) e a segunda (eletricidade) das revoluções industriais de nossa era, que não mudam, contudo, o caráter primário-exportador da inserção econômica internacional do País.

No final do século XIX, a despeito de transformações econômicas ocorridas durante o Império, o Brasil se inseria na divisão internacional do trabalho da mesma forma como em seu início:como uma Nação dotada de afirmada vocação agrícola para o monocultivo de exportação, ainda que alguns produtos momentâneos — como a borracha, por exemplo — viessem a disputar a primazia ao café nessa fase e no começo do século XX. A República trará poucas modificações a uma estrutura econômico-social essencialmente conservadora, não obstante a promissora experiência industrializadora de seusprimeiros anos. O que a República introduz de novo são princípios alternativos de política externa, como o pan-americanismo, por exemplo, numa área em que o Império tinha mantido, ou sido mantido em, um relativo isolamento das demais repúblicas do continente. A afirmação da República se dá num terreno em que o legado monárquico não tinha ainda se esvanecido, sobretudo nos meios diplomáticos, ocorrendomesmo alguns episódios “jacobinos”, no casa das intervenções estrangeiras durante a revolta da Armada, por exemplo. Mas, do ponto de vista econômico, os problemas que passam a atormentar a jovem República eram os mesmos que

Prof. Marcelo Mello

Economia e Mercado

23/04/12

tinham angustiado a jovem nação independente: o problema da mão-de-obra (desta vez como imigração) e osinvestimentos estrangeiros e os capitais de empréstimo, origem de monumental dívida externa que estaria sempre sendo jogada para a frente. A questão financeira — com a negociação do Funding Loan de 1898 — e o problema da “defesa do café” (promoção comercial e propaganda no exterior) são os grandes assuntos da diplomacia econômica do Brasil nesse período, cuja inserção na divisão internacional do trabalhocontinuaria sendo feita pelo simples lado da exportação primária. Tem início, assim, uma diplomacia do café, que continuaria durante todo o período de afirmação de nossa “vocação agrícola”.

A era do Barão, 1902-1912

Os elementos relevantes do relacionamento externo nessa fase são os dos limites territoriais deixados em aberto pela nulificação do Tratado de Madri, mediante o trabalho diplomáticode delimitação das fronteiras ainda duvidosas. A figura proeminente nessa fase é, evidentemente, a do Barão do Rio Branco (1902-1912), verdadeiro patrono e elemento ideológico central no processo de formação da moderna diplomacia brasileira. Outras questões proeminentes são a do equilíbrio no Cone Sul, problema indissociável da política americana conduzida pela Chancelaria, e a da participação...
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