Economia

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  • Publicado : 28 de março de 2012
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O trabalho não é mais o que costumava ser. A internet permitiu terceirizar microtarefas para multidões espalhadas pelo mundo, sem vínculo de emprego. A produção social, ou crowdsourcing, é comum fora do Brasil, mas aqui enfrenta obstáculos para crescer.
No Mechanical Turk, da Amazon, existem quase 200 mil tarefas para quem quiser cumpri-las, e receber por isso. Numa delas, o usuário deinternet recebe US$ 0,02 para dizer se uma pergunta está bem escrita, se ela faz sentido ou não. Em outra, recebe o mesmo montante para copiar os dados de uma imagem digitalizada de cartão de visitas.
Por aqui é mais difícil. Empresas com projetos de crowdsourcing no exterior relutam em trazê-los para o Brasil, por insegurança em relação à legislação tributária e trabalhista. São poucos oscasos de sucesso locais.
Um deles é a Itsnoon, criada por Reinaldo Pamponet, que vende projeto para grandes empresas, como Vivo, Kraft e Santander. Esse projeto se traduz em uma "chamada criativa" à comunidade - traduzida em uma pergunta como "qual é a força do jovem da periferia?" ou "qual o seu jeito de juntar dinheiro".
As pessoas podem enviar textos, imagens, vídeos ou áudios pararesponder à pergunta, e os melhores ganham dinheiro por isso. Numa das chamadas, por exemplo, cada uma das 30 melhores contribuições ganham R$ 300. A partir delas, a Itsnoon prepara um estudo, um relatório com as melhores ideias, que é usado pelos clientes para elaborar campanhas de marketing e estratégias de mercado.
"Já distribuímos mais de R$ 1 milhão em dois anos", disse Pamponet, quecriou a Itsnoon no fim de 2009. "Temos 10 mil jovens conectados em rede." Para escapar da armadilha tributária, os pagamentos feitos pela Itsnoon são de até R$ 400, dentro da faixa de isenção do Imposto de Renda.
Os jovens não cedem os direitos sobre o trabalho publicado no site, e o cliente da Itsnoon usa o resultado da chamada como se fosse uma pesquisa, para identificar tendências. Sequiser usar diretamente uma criação publicada na rede (numa campanha, por exemplo), precisa negociar diretamente com o autor.
"Acreditamos bastante em crowdsourcing", disse Jeni Lima, diretora de Estratégia e Conhecimento do Consumidor da Kraft Foods, um dos clientes da Itsnoon.
A chamada criativa da Kraft terminou há dois meses. "O material que recebemos é muito rico", disse Jeni. "Temuma riqueza de imagens e materiais que está servindo de base para o trabalho da equipe de marketing e de nossas agências."
Alternativa. A estudante Beatriz Landa tem 18 anos. Ela faz parte da rede da Itsnoon e teve seu trabalho escolhido uma dezena de vezes. Em um ano, recebeu cerca de R$ 1,6 mil. "Uma parte eu guardei na caderneta de poupança", disse ela. "Também comprei uma mesa gráfica,para fazer os desenhos."
Beatriz está no terceiro ano do ensino médio, e se prepara para prestar vestibular. Ela quer trabalhar em design gráfico. Antes de participar da Itsnoon, estava procurando emprego. "Agora a Itsnoon é meu emprego", disse a estudante. "Na área em que quero trabalhar, eles exigem curso superior. Participar da rede é um jeito de trabalhar nessa área, mesmo sem terfaculdade."
Como as chamadas são abertas a todos os integrantes da rede, a participação é voluntária e só os melhores trabalhos são remunerados, não existe vínculo de emprego. Como os participantes não cedem o direito de uso de seus trabalhos, não fica caracterizada a prestação de serviço de redação ou design.
"Como o portal está estruturado hoje, não há uma prestação de serviço dosjovens que participam das chamadas", disse a advogada Flavia Regina de Souza Oliveira, sócia do escritório Mattos Filho. "A Itsnoon tem um modelo muito particular." Segundo Pamponet, muitas pessoas perguntam quem tem o mesmo modelo no exterior. "Ninguém", disse ele. "Nós criamos aqui."
Projetos. Na visão de Marina Miranda, diretora geral da Mutopo Brasil, que oferece consultoria em produção...
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