Economia

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Revista de Economia Política, vol. 22, nº 1 (85), janeiro-março/2002

Resenhas

Introdução à Economia: Princípios de Micro e Macroeconomia
N. Gregory Mankiw
Rio de Janeiro, Ed. Campus, 1999

Cada época tem seus modismos. O ensino da
economia vive hoje sob a hegemonia dos chamados novos keynesianos, que, alguns, diga-se de passagem, colocam em dúvida se são, na verdade, legitimamentekeynesianos. Com o ocaso da escola
novo-clássica das expectativas racionais, em parte
fruto da ascensão dos novos keynesianos, a academia norte-americana vive hoje o auge de seu novo
modismo – e, por efeito manada, a quase totalidade
dos departamentos de economia no resto do mundo (inclusive, obviamente, os departamentos de
economia das universidades brasileiras, seguindo
uma tendência que não éexclusiva da esfera cultural e comportamental da sociedade brasileira de emular os modismos que vem do norte). Portanto, nada
mais natural que num dia surgir mais um manual
de introdução à economia escrito por um dos expoentes da nova escola. E esse é, justamente, o caso
deste Introdução à Economia, de Gregory Mankiw, publicado originalmente em língua inglesa em
1998, com o titulo dePrinciples of Economics.
A contra-revolução teórica promovida pelos
novos clássicos, e a formação de uma nova hegemonia acadêmica que daí derivou, implicou em um
redirecionamento da análise macroeconômica, que
passou a se basear em modelos competitivos, expectativas racionais e otimização intertemporal. A
busca por microfundamentos marcou a pesquisa
novo-clássica.
Os novos keynesianos caminham, decerta
forma, em uma direção contraria a esta. Se, por um
lado, continuam a pesquisa centrada na construção de microfundamentos sólidos, por outro, procuram aprofundar o estudo de temas macroeco186

nômicos em um mundo de concorrência imperfeita
e informação assimétrica.
Gostaria de ressaltar, inicialmente, os aspectos positivos do livro. Prima pelo didatismo, é claro
e de fácil leitura eacompanhamento, possui exercícios bem elaborados que ajudam bastante o leitor/aluno. O livro segue ainda uma tendência cada
vez mais freqüente entre os autores de livros-textos, de procurar apresentar as argumentações de
forma mais user-friendly, em que o lado visual é
exaustivamente explorado, por meio de boxes explicativos, notícias de jornal e charges. Há um apelo
maior a “visualidade” dotexto, de maneira a apresentar sem muitas complicações o conteúdo das
idéias, marca de uma época (pós-moderna?) em
que a imagem pode valer mais do que mil palavras.
Em suma, o livro se adequa bem, desta forma, aos critérios norteadores de uma disciplina
introdutória de economia dos cursos de graduação.
Deve-se elogiar a edição brasileira por ter mantido o índice de assuntos no final do livro(algo raro
em se falando de Brasil), o que facilita muito a vida
não só de quem usa o livro como referência para
estudo, mas também do professor.
Mas, o que este livro nos diz de novo em relação a outros manuais de economia, a outras figuras carimbadas que fizeram cabeça de várias gerações de economia, no Brasil e lá fora? Ele nos
diz, por exemplo, que existem importantes falhas
de mercado queproduzem resultados não-ótimos.
E que, por causa disso, uma ação governamental consciente e ativa pode ser justificada em certas situações.
O leitor com uma visão mais crítica pode

farejar um certo ar de déjà vu nesse argumento,
mas, vindo de influentes luminares do mainstream
acadêmico norte-americano, pode ser interpretado como uma revolução. Não nos esqueçamos de
que a escolanovo-clássica das expectativas racionais, tinha (e tem) ojeriza a esse tipo de argumento. Neste sentido, por exemplo, o capitulo 10 do
livro trata da importância das externalidades e da
necessidade de se fazer uma diferenciação, ou uma
polarização, entre resultados em termos de um ótimo social e as quantidades definidas pelo mercado: as falhas de mercado podem gerar ineficiências
importantes.
A...
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