Economia regional

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ECONOMIA REGIONAL: CONCEITO E FUNDAMENTOS TEÓRICOS*

Nali de Jesus de Souza**
Resumo: Este artigo faz uma revisão da disciplina Economia Regional, abordando seus conceitos e fundamentos teóricos. Estuda a influência do pensamento neoclássico sobre a análise econômica tradicional, que exclui todo contexto
geográfico. Expõe outras razões do abandono da análise espacial e o porquê do surgimentoda Economia Regional.
Apresenta definições, abordagens, conteúdo e métodos da análise regional. Estabelece a diferença entre espaço e região
e discute critérios de regionalização. Ao analisar a mobilidade dos fatores de produção e o equilíbrio geral, detalha as
causas da mobilidade do capital, do progresso técnico e da mão-de-obra, incluindo o talento gerencial.
Palavras-chave: EconomiaRegional. Métodos de regionalização. Mobilidade de fatores.
Abstract: This article presents a survey of Regional Economics, analyzing their concepts and theoretical foundations. It
studies the influence of the neoclassic thought about the economic analysis that excludes the geographical context. It
discusses other reasons of the abandonment of the spatial analysis and the reason why the RegionalEconomics arises. It
presents definitions, approaches, contents and methods of the regional analysis. It establishes the difference between
space and region and discusses the regionalization criteria. It analyzes the causes of capital, labor, technology and human capital mobility.
Key-words: Regional Economics. Regionalization methods. Factors mobility.
JEL Classification: R10, General; R11,Regional economic activity: growth, development, and changes.

I. ANÁLISE ECONOMICA TRADICIONAL
O elemento espaço não aparece na análise econômica tradicional: a teoria clássica e neoclássica fundamenta-se em um mundo estático e sem dimensões, onde o fator tempo é a variável essencial. Somente na análise das trocas internacionais é que se tem a inserção do elemento espaço, apoiada, contudo, poruma hipótese irrealista de custo de transporte nulo. No interior da economia nacional, em verdade, não poderia haver motivo para estudos espaciais, em virtude da suposição da
perfeita mobilidade dos fatores de produção, dos bens e serviços e das pessoas. Ela conduziria o
sistema econômico ao equilíbrio, uma vez que se observassem desigualdades marginais e transitórias nos custos de produção,nos salários e nos preços dos bens. Havendo, pois, uma diferença nesses elementos, os fatores deslocar-se-iam instantaneamente, em resposta e ganhos marginais, restaurando o equilíbrio em todas as regiões.
Dessa forma, não haveria necessidade da intervenção do Estado na economia. As forças de
mercado eram tidas como suficientes para conduzir o sistema econômico ao equilíbrio. Elementos
vitaisda análise regional, como a localização das atividades econômicas, os custos de localização e
de transporte, quando não considerados nulos, eram medidos pelo ganho ou perda de tempo. Uma
vez mais o elemento tempo tomava o lugar de uma possível inserção da variável espaço na análise
econômica.
As considerações dinâmicas e o papel do tempo na economia, tornada a variável relevante
da análise,pelo desenvolvimento da Escola histórica alemã, proporcionavam bons aportes à análise
econômica, contribuindo para o completo esquecimento do elemento espaço. Por outro lado, os elementos temporais prestavam-se mais facilmente à análise matemática rigorosa, a construção de
curvas suaves e contínuas, enquanto a variável espaço nunca se inseriu bem nos modelos tradicio*

Publicado originalmentena revista Perspectiva Econômica, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos, Ano XVI, v.
11, n. 32, 1981, p. 67-102.
**
Professor do curso de Pós-Graduação em Economia do Desenvolvimento da Pontifícia Universidade Católica do Rio
Grande do Sul. Site: www.nalijsouza.web.br.com.

nais. Acreditava-se, além disso, que a distribuição espacial das atividades econômicas tinha somente causas não...
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