Economia internacional - china e africa

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  • Publicado : 28 de outubro de 2012
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Segundo as previsões do banco americano que mais negócios tem com a China, o JP Morgan, em 2040 este país terá a maior economia do mundo. Vejamos, pois, como a África, geograficamente entre um Brasil e uma China, pode e deve olhar para os dois.
Uma breve retomada histórica
O fim tardio do colonialismo português dominou o noticiário afri- cano no princípio dos anos 70. A Revolução dos Cravos,desencadeada em Portugal em abril de 1974, abriu as portas para uma descolonização que muitos consideraram desorganizada e provocou surtos de violência e instabilidade importantes não só em Angola e Moçambique, como tam- bém em países vizinhos. No entanto, sem esse tremor de terra político, seria difícil imaginar o fim do regime de apartheid, tanto na Namíbia, como, em especial, na África do Sul.Foi, assim, possível chegar, em me- nos de duas décadas, à ambição de uma África Austral livre, mudando significativamente o horizonte do continente.
Estes desenvolvimentos tiveram repercussões no mundo inteiro. O clima da Guerra Fria favorecia interpretações geo-estratégicas, muito para além do verdadeiro interesse econômico dos países. Os protago- nistas africanos convenceram-se de que eram umapeça fundamental do xadrez político internacional. Os jogos de influência eram tão noti- ciados que o valor intrínseco da independência era julgado menos em termos de potencialidades de desenvolvimento do que em escolhas e alinhamento internacional. As expectativas estavam ao rubro. O lema da reconstrução nacional, simplificação simbólica da ideologia das independências, era a base para a definiçãode parcerias entre países amigos e todos os demais, que não cabiam nessa generosa condição.
Os regimes africanos tinham opções e podiam dar-se ao luxo de jogar, até um certo ponto, uns contra outros.
É neste contexto que o Brasil de então se apressou a demonstrar um interesse especial pela África. Foram os jovens países de língua portuguesa os escolhidos para explorar o potencial desse novorelacio- namento. Sendo o primeiro país a reconhecer oficialmente a controversa declaração de independência de Angola, o Brasil espantou seus aliados americanos, que eram contra tal apressamento. Tinham dúvidas sobre o governo que acabara de se estabelecer em Luanda, com a ajuda de Cuba e de outros países solidários, contra a aliança encabeçada pelo intervencionismo do regime sul-africano deapartheid. O Brasil fez escolhas e foi para além da retórica: criou linhas de crédito, incentivou exportações, facilitou o estabelecimento de ligações aéreas e marítimas, criou intercâmbios culturais. Na mesma senda, iniciativas de âmbito privado amplificaram o relacionamento. Exposições, conferências, divulgação de literatura e trabalhos acadêmicos sobre a África torna- ram-se comuns em grandes cidades.Os países africanos acolheram esse despertar do entusiasmo brasileiro com interesse, mas sem grande excitação. Não se vislumbrava, com cla- reza, se se tratava apenas de mais um ator no jogo de sedução aos países africanos ludibriados pelo seu papel de árbitro da Guerra Fria ou se, pelo contrário, era algo de mais profundo e perene. Os africanos não estavam, provavelmente, seguros de que ointeresse brasileiro tivesse emoção.
Do outro lado do planeta, a China, parceira indefectível dos movi- mentos de libertação do continente africano, ultrapassava o seu bilhão de habitantes e preparava-se para a abertura ao mundo. Tal abertura viria a ocorrer, simbolicamente, depois da Revolução Cultural, que ter- minou em 1976. De um período de exageros nacionalistas e ideológicos, a China passava auma etapa diferente, modelada por um pragmatismo mais condizente com a história milenar do país. O Partido Comunista deu o mote às reformas em dezembro de 1978. A mesma geração que demonizava o Ocidente, a burguesia e o capitalismo, iniciou, então, uma espetacular reconversão de paixões. De um país de coletivismo, trajes de trabalho azuis, comida racionada e bicicletas, preparavam-se os caminhos...
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