Durkheim e o totemismo - arunta

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Em En les Formes Élémentaires de la Vie Religieuse (Durkheim, E., Paris, P.UF., 1990), Durkheim discorre sobre os Arunta, povo Australiano profundamente arreigado ao conceito de Totem. Por outro lado, Marcel Mauss, seu sobrinho e, tal como Durkhiem, pertencente à Escola Sociológica Francesa, investiga a partir de dados etnográficos (tanto Durkheim como Mauss trabalhavam em gabinete), o hau Maori,publicando no seu Ensaio sobre a Dádiva (Mauss, M, Lisboa, Edições 70,1988) a ideologia patente por trás de tal conceito. Mas, que diferenças e similaridades poderão ter estes dois conceitos provenientes de culturas tão distintivas? Segundo Durkheim, o Totem é o epicentro da cultura e sociedade Arunta (“(…) o totem não é apenas um nome e um emblema(…) é uma etiqueta colectiva(…)”). Para osArunta, a sua concepção está imbuída de significados místicos, ou seja, o feto que se desenvolve no ventre materno é, não só a reencarnação de um antepassado do Alcheringa (tempo místico) mas, também, antropozoomórfico. Mais explicitamente, a criança será tanto humana como animal ou planta. Este facto, será preponderante para toda a vida do individuo que será “etiquetado” consoante o seu animal ouplanta totémico (espécie Totémica) e pertencerá, no colectivo, a um grupo totémico que o acolherá e partilhará dos seus rituais e crenças. O totem é, então, aquilo que distingue os grupos totémicos uns dos outros, pleno de uma força impessoal e anónima gerada pelas actividades e rituais dos grupos, afecta não só às próprias pessoas como também a locais, animais e objectos sagrados. Durkheim vais maisalém e apelida essa força impessoal de Princípio Totémico ou Deus Totémico, a essência do colectivo gerada pelo grupo e transversal a tudo. É, desta forma, que poderá existir uma convergência entre o Principio Totémico e o Hau dos Maori. Segundo Mauss o hau é “o espírito das coisas”, de tudo o que existe num dado local e num dado espaço de tempo. O hau está nas pessoas, nos animais, nas florestas,nos objectos sagrados taonga, na própria sociedade. O hau comanda a vida, é o próprio quotidiano tal como o Totem o é. Toda a vivência dos Maori se centra no hau, tal como os Arunta se centram nos preceitos do seu grupo totémico, do que é esperado deles como representantes da sua espécie totémica. Que serão os taonga, imbuídos de hau, pertencentes ao seu lugar de proveniência de uma formaintimista, se não similares aos churinga dos Arunta permeados da tal “força impessoal e anónima”, pertencentes aos ertnatulunga( esconderijos nos Oknanikilla - locais sagrados)onde são escondidos transmitindo o seu caracter sagrado à própria terra onde repousam. O hau é então, uma força inconscientemente presente noutras culturas. Para Durkheim “(…)o princípo totémico, não pode ser outra coisa senão opróprio clã” (clã:este termo não é aceite pela Antropologia) ou seja, o próprio grupo totémico e, por fim a sociedade. O homem é devoto a si mesmo, tal como na crença do hau, onde os indivíduos são crentes nessa essência vital que faz também parte de si mesmos e da sociedade. A sociedade está acima do individuo (Durkheim). Tanto o princípio totémico como o hau colocam em movimento as “inúmerasdimensões da vida social e cultural”( arte, religião, política, etc) tanto dos Arunta como dos Maori. São portanto, de certa forma, factos sociais totais.

Quando Kroeber afirma que Durkheim se interessava “mais em princípios nítidos do que na variedade de dados comparativos(…)” está a corroborar o facto de que Durkheim, ao contrário de Edward Tylor e James Frazer, não se prestava a grandes “cavalgadascomparativas”, preferindo, ao invés, entender um determinado povo e, os seus mecanismos sociais (e não culturais) ou seja, a essência pela qual uma sociedade se torna coesa. Como sociólogo, Durkheim acreditava que “ (…) os fenómenos culturais podiam ser adequadamente subsumidos em conceitos puramente sociais.”, nomeadamente, a própria religião que se torna o foco para as suas investigações,...
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