Doutrinas eticas e fundamentais

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Doutrinas Éticas Fundamentais
Adolfo Sánchez Vásquez
1. Ética e História
As doutrinas éticas fundamentais nascem e se desenvolvem em diferentes épocas e sociedades como respostas aos problemas básicos apresentados pelas relações entre os homens, e, em particular, pelo seu comportamento moral efetivo. Por isto, existe uma estreita vinculação entre os conceitos morais e a realidade humana,social, sujeita historicamente à mudança. Por conseguinte, as doutrinas éticas não podem ser consideradas isoladamente, mas dentro de um processo de mudança e de sucessão que constitui propriamente a sua história. Ética e história, portanto, relacionam-se duplamente: a) com a vida social e, dentro desta, com as morais concretas que são um dos seus aspectos; b) com a sua história própria, já que cadadoutrina está em conexão com as anteriores (tomando posição contra elas ou integrando alguns problemas e soluções precedentes), ou com as doutrinas posteriores (prolongando-se ou enriquecendo-se nelas)
Em toda moral efetiva se elaboram certos princípios, valores ou normas. Mudando radicalmente a vida social, muda também a vida moral. Os princípios, valores ou normas encarnados nela entram em crisee exigem a sua justificação ou a sua substituição por outros. Surge então a necessidade de novas reflexões ou de uma nova teoria moral, pois os conceitos, valores e normas vigentes se tornaram problemáticos. Assim se explica a aparição e sucessão de doutrinas éticas fundamentais em conexão com a mudança e a sucessão de estruturas sociais, e, dentro delas, da vida moral. Sobre este fundohistórico-social e histórico-moral, examinemos agora algumas doutrinas éticas fundamentais.
2. Ética Grega
Os problemas éticos são objeto de uma atenção especial na filosofia grega exatamente quando se democratiza a vida política da antiga Grécia e particularmente de Atenas. Ao naturalismo dos filósofos do primeiro período (os pré-socráticos), sucede uma preocupação com os problemas do homem, e, sobretudo,com os problemas políticos e morais. As novas condições que se apresentam no século V (a. n. e.) em muitas cidades gregas — e especialmente em Atenas — com o triunfo da democracia escravista sobre o domínio da velha aristocracia com a democratização da vida política, com a criação de novas instituições eletivas e com o desenvolvimento de uma intensa vida pública, deram origem à filosofia políticae moral. As idéias de Sócrates, Platão e Aristóteles neste campo estão relacionadas com a existência de uma unidade democrática limitada e local (o Estado-cidade ou polis), ao passo que a filosofia dos estóicos e dos epicuristas surge quando este tipo de organização social já caducou e a relação entre o indivíduo e a comunidade se apresenta em outros termos.
I. – Os Sofistas
Constituem ummovimento intelectual na Grécia do século V (a.n.e.). O vocábulo “sofista” — que desde Platão e Aristóteles toma um sentido pejorativo — originariamente significa mestre ou sábio, como o mostra sua semelhança com a palavra grega sofia (sabedoria). O sofista reage contra o saber a respeito o mundo porque o considera estéril e se sente atraído especialmente por um saber a respeito do homem,particularmente político e jurídico. Mas não ambiciona um conhecimento gratuito e especulativo, mas prático, tendente a influir na vida pública. Por esta razão, os sofistas se transformam em mestres que ensinam principalmente a arte de convencer, ou retórica. Numa sociedade em que o cidadão intervém ativamente e é muito importante ter êxito na vida política, a arte de expor, argumentar ou discutir ensinadapelos sofistas — cobrando por isto, com grande escândalo dos seus concidadãos — não deixa de ter uma aceitação excepcional, até o ponto de convertê-los numa verdadeira força social. Mas esta arte de persuadir é desenvolvida e transmitida pondo em dúvida não só a tradição, mas a existência de verdades e normas universalmente válidas. Não existe nem verdade nem erro, e as normas — por serem humanas...
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