Doralice inocencio-entre cura religiosa

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  • Publicado : 5 de maio de 2012
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INTRODUÇÃO

Resenha do artigo de Doralice Inocêncio, que versa sobre a postura médica frente à cura religiosa, e traça uma perspectiva histórica da religiosidade com as práticas médicas, e como os profissionais da saúde reagem frente ao “fenômeno da cura religiosa”, e a importância do estudo de tais práticas na medicina, buscando uma harmonia entre as abordagens, de modo a criar-se um processomais humano de abordagem do processo saúde/doença, e possibilitar a inserção de meios alternativos como terapia médica, em certos casos.

Entre a Ciência e a Crença: A postura médica frente à cura religiosa.


A evolução da medicina desde Hipócrates tem no seio, de forma indissociável, uma faceta mítica e mística, que tem permeado as mais diversas culturas através dos séculos. A vivência doprocesso de saúde e doença, sempre foi acompanhada por diversos ritos e crenças, bem como ação sobrenatural, quando desde os primórdios, os homens se adotavam dos mais diversos meios para se proteger da “ira dos Deuses”, tais como amuletos e ritos sagrados.
Como denota Nunes (1983), apesar de cada contexto histórico e cultural, respeitando as peculiaridades de cada povo ou sociedade, observamosque a ligação com o sagrado no processo de adoecimento e morte está presente em todas elas. São castigos, punições, ações demoníacas ou de maus espíritos, sinal de ira divina em razão dos pecados mundanos, dentre outras representações.
Historicamente, ao que tudo indica, o surgimento da medicina se baseia na apropriação das terapias e procedimentos de cura populares, destarte, se busca acontextualização da evolução da medicina e como as crenças e terapias populares acompanharam esse processo evolutivo, e a postura médica diante de tais terapias na contemporaneidade.
Henry Eye (1981) aponta um pensamento médico pronto para dissociar a religião da ciência médica, expurgando o misticismo e os pensamentos mágicos de cura. Nessa linha a autora nos mostra o caráter intrínseco da religiãocom a medicina no processo evolutivo da práticas médicas,
Analisando a situação médico e paciente, na qual de um lado temos um individuo angustiado, suscetível a qualquer ação que solucione seu problema e extirpe seus males, e do outro um profissional que busca solucionar tais infortúnios se utilizando de técnicas e procedimentos coerentes, viáveis, adquiridos no decorrer de sua formaçãoprofissional. De um lado o paciente apela a subjetividade e aos simbolismos, ao passo que o médico se volta para um saber técnico, fundamentado e mensurado.

A pesquisa abordou a posição médica diante da adoção de terapias populares ou alternativas, sua atitude diante de diagnósticos imprecisos, e sua posição quanto a cura religiosa, e também, se recomendam ou não, que os seus pacientes se façam valerde tais alternativas.
Notamos na primeira questão sobre a crença em um ser transcendente, uma unanimidade na afirmação. O homem, desde o principio sempre se viu impelido a explanar o desconhecido através de mitos e crenças transcendentes, isso está diretamente ligado às nossas limitações, temos a fé como uma herança cultural de nossos ancestrais, ainda que inespecificamente, a maioria crê. Acrença é própria dos indivíduos dada a evolução sempre permeada por elementos místicos, como tem demonstrado a história da medicina na relação do homem com o processo de saúde/doença.
Embora na pesquisa os médicos tenham afirmado que a fé pode curar, notamos que não dito levianamente. Explica-se como uma das possibilidades desse processo, a mobilização do individuo pela fé para lutar contra apatologia, e isso, aliado às terapias médicas, levaria a cura. Leva-se em conta também um equilíbrio emocional e psíquico que poderia ser produto da fé, levando ou contribuindo para uma maior defesa do organismo. O grupo masculino adota essa visão, onde a fé é íntima, e esse processo parte de dentro pra fora, as mulheres são de opinião contrária, atribuindo ao poder de Deus, a cura.
Vemos ainda,...
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