Dom casmurro

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  • Publicado : 24 de abril de 2013
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Segundo Medeiros e Albuquerque, em sua critica escrita em 1900, o livro Dom Casmurro por se passar em primeira pessoa concede ao leitor o “direito de impressionar-se como quiser”, visto que a personagem de Dom Casmurro no momento em que narra sua história já se chegou ao ceticismo absoluto, assim como escrito por Medeiros e Albuquerque, sendo desta forma chegando a influenciar a reconstrução danarrativa de sua história. Ao iniciar a leitura do livro já nos deparamos com Dom Casmurro nos dando uma breve definição de Casmurro:
“ Não consultes dicionário. Casmurro não está aqui no sentido que eles lhes dão, mas que lhe pôs o vulgo de homem calado e metido consigo.” (Dom Casmurro, cap. 1, 1ª ed. 2008)

Mas ao consultarmos um dicionário descobrimos que Casmurro tem comosignificado alguém teimoso, obstinado, cabeçudo. O que já nos induz a pensar que Dom Casmurro já que visto como alguém obstinado nos levará a uma versão unicamente sua, mesmo que cética. Entretanto segundo Schwarz, deve-se fazer três leituras de Dom Casmurro para que se possa de alguma forma “o suspeito e o logo réu é o próprio Bento Santiago, na sua ânsia de convencer a si e ao leitor da culpa damulher.”[1] Ainda seguindo os pensamentos de Schwarz nos somos induzidos a crer na historias de Bento Santiago devido a sua simpatia e recordações tão bem contadas.

Como descrito em O Otelo Brasileiro de Machado de Assis, de Helen Caldwell, o livro de Machado de Assis nos remete a história de Otelo de Shakespeare, inclusive o próprio Dom Casmurro se intitula assim no capítulo Uma reformadramática (LXXII):


“Nem eu, nem tu, nem ela, nem qualquer outra pessoa desta história poderia responder mais, tão certo é que o destino, como todos os dramaturgos, não anuncia as peripécias nem o desfecho. (...) Otelo mataria a si e a Desdêmona no primeiro ato, os três seguintes seriam dados à ação lenta e decrescente do ciúme(...). Desta maneira, o espectador acharia no teatro a charadahabitual que os periódicos lhes dão, porque os últimos atos explicam o desfecho do primeito(...)” (Dom Casmurro, cap. 72, 1ª ed. 2008)


Ao ler nos deparamos com uma pequena diferença de Otelo e Dom Casmurro, no caso do livro de Machado pode perceber que o personagem narrador nos quer fazer acreditar que Capitu, sua Desdêmona, é culpada. Inicialmente o Iago da trama é o agregado José Dias,mas a partir do capítulo Uma ponta de Iago “o Otelo-Santiago toma para si também o papel de Iago, manipulando seus próprios lenços para atiçar o furor de seu próprio ciúme.”[2] E a partir desse capítulo Bento Santiago se faz acreditar na infidelidade de Capitu e vai de certa maneira tentando fazer com que o leitor acredite na culpa da mesma. Como dito por Dom Casmurro no capítulo As curiosidadesde Capitu(XXXI):


“Há conceitos que se devem incutir na alma do leitor, à força de repetição.”


(Dom Casmurro, cap. 31, 1ªed. 2008)


Concluindo esse capítulo Helen Caldwell, assim como Medeiros e Albuquerque concluem é que a conclusão à qual Bento Santiago faz com que o leitor creia realmente na traição de sua adorável esposa equerido amigo, e como consequência dessa ação ele, Bento Santiago amável e ingênuo, se torne o cético Dom Casmurro.


Analisando-se do ponto de vista de John Gledson, Dom Casmurro impõe um padrão aos acontecimentos que de certo modo são apresentados para convencer ao leitor o que nem o próprio Dom Casmurro deixa certamente claro. Em certos trechos Dom Casmurro deixa demonstrar a submissãode Capitu e seu devoto amor ao seu esposo, como no trecho do capítulo Dúvidas sobre dúvidas (CXV):


“Dali em diante foi cada vez mais doce comigo, não me ia esperar a janela para não espertar-me o ciúme, mas quando eu subia, via no alto da escada, entre as grades da cancela, a cara deliciosa da minha amiga e esposa, risonha como toda infância.”


(Dom...
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