Dom casmurro

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  • Publicado : 2 de julho de 2012
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Universidade Estadual de Campinas


O início da narrativa de Dom Casmurro ocorre no auge do Império brasileiro (por volta de 1950), onde os senhores de escravos possuíam grandes lotes dos mesmos e totais poderes sobre seus subjugados. As relações Paternalistas baseavam-se na “lógica do favor”, ou lealdade absoluta, relações estas que propriamente dito obrigavam o escravo ou, melhordizendo no caso de Dom Casmurro, a parentela mais pobre ou os dependentes prestarem favor, ou estar à total disposição de seu senhor (onde o senhor é o centro numa hierarquia de dependência), em troca de proteção, abrigo. Segundo Schwars, “[...] a população de Dom Casmurro compõem uma parentela, [...]”, sendo D. Glória o centro do poder, cercada por pessoas de nível inferior ao dela, que de algumamaneira procuram agrada- lá ou prestar-lhe favor para ter sua proteção.
Logo no início deste romance vemos o interesse de José Dias, o agregado da família Santiago, em mostrar sua lealdade à D. Glória, alertando-a sobre possível namoro de Bentinho com Capitu (uma vizinha pobre), que poderia vir atrapalhar a ida de Bento Santiago ao seminário. “[...]Não me parece bonito que o nosso Bentinhoande metido nos cantos com a filha do Tartaruga, e esta é a dificuldade, porque se eles pegam de namoro, a senhora terá muito que lutar para separá-los.” (Dom Casmurro, cap. III, pág. 3). Neste trecho de Hellen Caldwell: “José Dias: ele é esperto e persuasivo, simpático a Bentinho e inclinado a trabalhar para ele, tendo-o como seu futuro senhor.”, vemos que, mesmo ele tendo uma simpatia aBentinho, José Dias conseguiu buscar uma forma de se sair bem, pois contando a D. Glória sobre o romance do filho, ele estaria ajudando sua senhora (sem trair Bentinho) e livrando o moço da tal menina pobre: Capitu.
Dom Casmurro, como narrador, não nos mostra ser confiável, enquanto ele tenta narrar os fatos de acordo com o ocorrido, ao mesmo tempo ele diz não ser necessário o relato dealguns. No capítulo LIX, ele cita sobre sua memória, que não é boa, e pede para que o leitor preencha as lacunas que ficarem abertas assim como ele já o fez com livros falhos, “Não, não, a minha memória não é boa. Ao contrario, é comparável a alguém que tivesse vivido por hospedarias, sem guardar delas nem caras nem nomes, e somente raras circunstâncias.” (D.C., pág. 55). Através desses pontos devemosolhar o livro com certa desconfiança, pois o autor não nos da total segurança de que toda sua narrativa é exatamente o que aconteceu, ou se é apenas um meio de puxar a corda para seu próprio lado. Para Gledson está claro que Dom Casmurro é um enganador, que tenta nos convencer de que basta apenas o seu próprio argumento, nos persuadindo a crer que o que ele narra é a verdade (discurso deadvogado), e Gledson deixa claro: “Primeiro, ele é, evidentemente, um enganador que está tentando nos persuadir de uma dada versão dos fatos de sua história; mas, visto que também tenta persuadir a si próprio [...]”, devemos nos questionar sobre a posição que Dom Casmurro deu a si próprio, se ele será o futuro “senhor” então o que vale realmente é o ele diz ou pensa.
Em sua história, DomCasmurro nos apresenta Bentinho sendo um garoto inseguro, sem opinião própria, que vive debaixo da saia da mãe, que não consegue mostrar os seus sentimentos, vendo-se encurralado em qualquer pequeno obstáculo, deixando-se levar por palavras alheias. Mesmo sendo filho de uma mulher com várias propriedades, senhora de engenho na época, Bentinho (até meados do romance) representa o oposto de sua posição,ele está sempre retraído, não consegue mostrar suas idéias, seus planos não passam de sonhos irreais. Ao contrário de Bentinho, Capitu, sua namorada desde a infância, é uma jovem que, segundo Dom Casmurro, é dissimulada, calculista, e que tem uma personalidade forte para uma garota na sua idade.
Durante toda a narrativa podemos observar Capitu com a imagem que deveria ser de Bentinho, uma...
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