Divisao do trabalho -durkeheim

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DURKHEIM, Émile. Da divisão do trabalho social. São Paulo: Martins Fontes, 1999.

Na obra Da Divisão do Trabalho Social, Durkheim desenvolve alguns dos conceitos elementares de sua teoria acerca da levedação do mundo moderno: coesão, solidariedade mecânica, solidariedade orgânica, consciência coletiva.
Nesta perspectiva, o autor apresenta a generalização do fenômeno da divisão do trabalho apartir da revolução industrial consolidando uma estrutura de especialização em todos os setores e serviços da sociedade moderna, o que se reflete inclusive na ciência (p. 52). Propõe assim, uma problematização acerca da postura a ser adotada frente a este fenômeno: resistir-lhe ou abandonar-se a ele? E propõe também uma discussão acerca de sua valoração moral: já que a divisão do trabalhoaparece, segundo Durkheim, como uma lei da natureza, seria ela também uma regra de conduta moral? (p. 54).
Nisso duas tendências atuam contrárias sem apresentar solução: o valor moral do trabalho humano reside na dimensão do todo ou na particularização das tarefas? (p. 55). Para captar a importância desta reflexão, não se deve ater-se às discussões acerca do que é moralidade, mas de como ela atua, e dequal papel de fato ela desempenha na organização social. Por isso, é também necessário realizar um esforço metodológico de afastamento das pré-noções para compreender objetivamente a divisão do trabalho e assim,, estudando-a “em si mesma, procurar saber para que serve e de que depende” [p. 58], comparando-a em relação com outros fenômenos.
Neste sentido, o autor analisa a função da divisão dotrabalho, visando determinar o seu significado, ou seja, compreender “a qual necessidade a que corresponde” (p. 63) tal fenômeno no organismo social. A primeira vista, quando percebida pelo senso comum, a função da divisão do trabalho seria a própria produção da civilização (p. 64), mas Durkheim questiona esta percepção problematizando-a com base na relação moral-civilização (p. 65): para o autor acivilização não é moral, não se finca nestes critérios.
Propõe-se a procurar outra função para o fenômeno referido, via observação dos fatos, tomando como primeiro exemplo as relações de amizade: buscamos nos outros aquilo que nos falta “e é esta partilha de funções que determina estas relações de amizade”. Isto conduz a análise da divisão do trabalho para seu efeito moral: “sua verdadeirafunção é criar entre duas ou várias pessoas, um sentimento de solidariedade” (p. 71).
Neste mesmo sentido, toma a relação matrimonial como um segundo exemplo: “a divisão do trabalho sexual é a origem da solidariedade conjugal” (p. 71) que tende a tornar-se mais coesa e complexa na medida em que as sociedades também assim se fazem (p. 75). Logo o papel da divisão do trabalho é tornar solidárias asfunções diversas, possibilitando a existência das sociedades ou grupos (p. 76), o que ultrapassa os interesses puramente econômicos “porque consiste no estabelecimento de uma ordem social e moral sui generis” (p. 76) muito maior que o espaço do trabalho, pois supõe uma troca que implica dependência mútua de elementos incompletos (p. 77). A divisão do trabalho desempenha então, no conjunto destaconstrução, o papel de integração do corpo social, sendo a fonte da coesão nas sociedades contemporâneas (p. 78) o que assegura a sua existência.
Seguindo suas proposições metodológicas, desenvolve a verificação desta hipótese através da comparação e classificação das diversas formas de solidariedade, o que requer estudá-la enquanto sistema jurídico (forma de externalização), já que é um fenômeno moral aoqual não se pode medir. O direito é a forma pela qual se organiza a vida social e as relações (solidárias) entre os grupos (p. 80) de modo que nele se refletem “todas as variedades essenciais da solidariedade social” (p. 81).
Assim, sendo a divisão do trabalho a promotora da solidariedade e coesão que garante a existência da sociedade, vê-se o direito como reprodutor das principais...
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