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O Sistema Dos Objetos de Jean Baudrillard

Síntese de pe Paolo Cugini Introdução O estudo desse sistema “falado” dos objetos, vale dizer, do sistema de significações mais ou menos coerente que instauram, supõe sempre um plano distinto desse mesmo sistema “falado”, mais rigorosamente estruturado do que ele, um plano estrutural além mesmo da descrição funcional: o plano tecnológico.(pág.11) Tal plano tecnológico é uma abstração: somos praticamente inconscientes, na vida de todo dia, da realidade tecnológica dos objetos. No entanto, essa abstração é uma realidade fundamental: é ela que dirige as transformações radicais do meio ambiente. Ela vem mesmo a ser, seja dito sem paradoxo, o que há de mais concreto no objeto, pois o processo tecnológico é o mesmo da evoluçãoestrutural objetiva. A rigor, o que acontece ao objetivo no domínio tecnológico é essencial, o que lhe acontece no domínio psicológico ou sociológico das necessidades e das práticas é inessencial. Somos continuamente remetidos, por meio do discurso psicológico sobre o objeto, a um nível mais coerente, sem relação com o discurso individual ou coletivo, e que seria aquele de uma língua tecnológica. É apartir dessa língua, dessa coerência do modelo técnico, que se pode compreender o que corre com os objetivos pelo fato

de serem produzidos e consumidos, possuídos e personalizados. (pág.11) Mas é claro que, para dar conta do sistema cotidiano dos objetos, esta análise tecnológica estrutural é insuficiente. (pág.13) A. O Sistema Social Ou O Discurso Objetivo 1. As Estruturas Do Arranjo O meioambiente tradicional A configuração do mobiliário é uma imagem fiel das estruturas familiais e sociais de uma época. O interior burguês típico é de ordem patriarcal: conjunto de sala de jantar, quarto de dormir. Os móveis, diversos na sua função, mas fortemente integrados, gravitam em torno do guarda-louça ou do leito central. Há uma tendência à acumulação e à ocupação do espaço, ao seu confinamento.(pág.21) Tudo isto compõe um organismo cuja estrutura é a relação patriarcal de tradição e de autoridade e cujo coração é a complexa relação afetiva que liga todos os seus membros. Este recinto é um espaço específico que tem em pouca conta um arranjo objetivo, pois os móveis e os objetos existem aí primeiro para personificar as relações humanas, povoar o espaço que dividem entre si e possuir umaalma[1]. A dimensão real em que vivem é prisioneira da dimensão moral que têm que significar. Possuem eles tão pouca autonomia neste espaço quanto os diversos membros da família na sociedade. Seres e objetos estão aliás, ligados, extraindo os objetos de tal conluio uma densidade, um valor afetivo que se convencionou chamar sua “presença”. Aquilo que faz a profundidade das casas de infância, suapregnância na lembrança, é evidentemente esta estrutura complexa de interioridade onde os objetos despenteiam diante de nossos olhos os limites de uma configuração simbólica chamada residência. A censura entre o interior e o exterior, sua oposição formal sob o signo social da propriedade e sob o signo psicológico da imanência da família faz deste espaço tradicional uma transcendência fechada. (pág.22) Setais móveis se vendem não é porque sejam menos caros, é porque trazem em si a certeza oficial do grupo e a sanção burguesa e também porque estes móveis-monumentos (buffet, cama, armário) e sua disposição recíproca respondem a uma persistência das estruturas familiares tradicionais em amplas camadas da sociedade moderna. (pág.23) O objeto moderno liberto em sua função Ao mesmo tempo que mudam asrelações do indivíduo na família e na sociedade, muda o estilo dos objetos mobiliários. (pág.23) Assim se apresenta o conjunto moderno de série: desestruturado mas não reestruturado: nada vindo compensar o poder de expressão da antiga ordem simbólica. Todavia há progresso: entre o indivíduo e aqueles objetos mais flexíveis no seu uso, que não exercem nem simbolizam mais a coerção moral, a...
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