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A IMPORTÂNCIA DO ATO DE LER Daniel Sotelo1

O livro de Paulo Freire que faz uma abordagem sobre e “importância do ato de ler”, mostra que a sua importância da tarefa da recuperação da humanidade do oprimido, quer onde se esteja. Sua causa é a dignidade da pessoa humana, que na opressão ou na libertação, atinge uma dimensão de universalidade. Na apresentação deste trabalho, Paulo Freire nosinsere em um verdadeiro “círculo de cultura”, ondenos sentimos participando, enquanto sujeitos, de uma experiência real. Aprender a ler, escrever, alfabetizar-se é antes de tudo, aprender a ler o mundo, compreender o seu contexto, não numa manipulação mecânica de palavras, mais numa relação dinâmica que vincula a linguagem e realidade. A constante busca pelo livro se dá por ver como a temática daleitura (texto e contexto). Os Brasileiros estudam e debate a questão que o título está ligado, a alfabetização. Paulo Freire, percebendo o interesse em torno da temática, vem, preponderantemente, buscando abarcá-lae entendê-la não somente, de ponto de vista cientifico e estético, mais também, do ponto de vista estético e político. Em uma sociedade que exclui dois terços de sua população, aquestão da leitura e escrita é altamente considerável esse debate. Esse livro é a prova que traz presença viva, que anima, desafia e aquece a vontade de vida do autor, sua paixão por continuar dizendo coisas e “pronunciando o mundo”. A importância do ato de ler é na compreensão crítica deste ato, que não se esgota na decodificação pura da palavra escrita ou da linguagem escrita, mas que se antecipa e sealonga na inteligência do mundo. A leitura do mundo precede a leitura da palavra, daí que a posterior leitura desta não possa prescindir da continuidade da leitura daquele. Linguagem e realidade se prendem dinamicamente. A compreensão do texto a ser alcançada por sua leitura crítica implica a percepção das relações entre o texto e o contexto. O ato de ler, na experiência existencial, vemprimeiramente como a “leitura” do mundo, depois, a leitura da palavra. O primeiro mundo se dá na infância, e é o mundo das atividades perspectivas, das primeiras leituras. Os textos, as palavras, as letras daquele contexto, em cuja percepção é experimentada e, quanto mais o fazia, mais aumenta a capacidade de
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Graduado em Teologia pela Faculdade de Teologia da Igreja Presbiteriana Independente doBrasil (1975), graduado em Filosofia pela Universidade Federal de Santa Catarina (1976), Mestre em Teologia pela Faculdade de Teologia Na. Sra. da Assunção. (1996) e Doutor em Ciências da Religião pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (2010). Atualmente é professor titular da Faculdade de Inhumas.

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perceber. Aumenta com as relações entre os irmãos mais velhos e pais. Do contexto domundo imediato, faz parte também, o universo da linguagem dos mais velhos, expressando as crenças, gostos, gestos, receios e valores. Tudo isso contextos mais amplos do que o mundo imediato possa compreender, vividas em momentos em que ainda não se lê a palavra. Na medida em que se torna íntimo com o mundo particular de cada um, fica mais fácil a percepção e a compreensão da leitura que dele sefaz. Paulatinamente, somos introduzidos na leitura da palavra, a decifração da palavra flui naturalmente da leitura do mundo particular. A leitura da palavra não significa uma ruptura do mundo (palavra-mundo). Na época da adolescência, a compreensão crítica da importância do ato de ler é constituída através de sua prática. O autor explica, em sua experiência pessoal, que essa percepção crítica dostextos lidos em classe, não eramomentos puros de exercícios, como tabletes de conhecimentos que devessem ser engolidos pelos estudantes, tudo isso, pelo contrário, era proposto. À curiosidade dos alunos de maneira dinâmica e viva. Os educandos não tinham que memorizar mecanicamente a descrição do objeto, mais aprender a sua significação profunda. A insistência na quantidade de leituras sem o...
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