Diversos rostos da infancia

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Diversos rostos da infância

Este artigo faz uma análise da infância ao longo da história, considerando a participação da criança na sociedade, das práticas sociais relacionadas à institucionalização da infância, em que viviam as crianças nos séculos XVIII e XIX até os dias atuais.

Palavra Chave: infância, socialização, escolarização, educação.

Introdução

Na análise feita por Áries, oconceito de infância se deu nas construções sociais de três períodos históricos: na Antiguidade, no século XIII ao século XVIII e no século XVIII a atualidade. No primeiro período, segundo ele, a criança era considerada um adulto em miniatura por não haver distinção entre o mundo adulto e o mundo infantil, ou seja, a criança se “ingressava na sociedade dos adultos”. No segundo período, ocorreu umamudança na perspectiva de criança. Agora, a sociedade passa a prezar pela inocência da mesma, separando-a da vida dos adultos ao enclausurá-la na instituição escolar sob vigia dos professores. Por fim, o terceiro período é caracterizado pela consolidação do conceito de infância. Áries destaca que, neste período, a criança começa a ocupar o lugar central da família.

Philippe Áries (Blois, 21 dejulho de 1914 - Paris, oito de fevereiro de 1984) foi um importante historiador e medievalista francês da família e infância.

A infância na província mineira

Nas primeiras décadas do século XIX, o Brasil sofreu profundas mudanças sociais e políticas. Com a independência e a coroação de Dom Pedro II deu-se início a tendência liberal. O processo de institucionalização da escola elementarsofreu devido à tensão social e política nesse período, marcada pela precariedade. A população podre era considerada uma ameaça a estabilidade do governo, acreditava-se que dando instrução à população podre, era um meio de torná-la submissa as leis.

A educação da infância da província mineira de 1820 a 1850 era voltada para a população pobre, acreditando-se que elas possuíam faculdades mentais emorais inferiores, assim necessitando serem educadas pela escola a fim de reparar sua formação. Escolarizar a população pobre e livre, espalhada pelo território nacional, implicaria a produção e afirmação da escola como instituição de formação das novas gerações.

O artigo 12 da lei provincial, número 13, de 1835, delimita a idade escolar de 8 a 12 anos para os meninos e nada estabelecia quantoà instrução das meninas, ficando os pais encarregados de encaminharem os filhos a instrução sob pena de multa. A análise dos mapas trimestrais de freqüência mostra que era normal a presença de crianças de cinco ou seis anos, e raro de 15 anos em sala de aula, a presença de crianças com idade inferior mostra que, devido muitos estarem no trabalho e não na escola, os professores recebiam as criançasmenores por ainda não estarem comprometidas com o mundo adulto de trabalho. A educação das meninas se diferencia das dos meninos pelo seu conteúdo e duração dos estudos e por estabelecimentos separados.

As meninas, além do elementar, tinham uma formação voltada para serviços do lar, sendo elas 10% do total de meninos. O número de escolas para meninas era insuficiente, muitas eram matriculadasnas escolas de meninos e separadas em sala de aula por uma cortina. Nos relatórios dos delegados de ensino, constam dados sociais, destacando a pobreza, onde pais não podiam alimentar e vestir seus filhos para irem à escola.

O projeto de escolarização era europeu, adotado o curso de escola para professores do Barão de Gerando, que era defensor da extensão da escola para as classes inferiores, ediferenciava crianças e adultos por inteligência infantil, ainda de pouco desenvolvimento. Os meninos pobres de classe trabalhadoras eram visto como negativos de uma infância modelo, baseada na elite para Locke e Barão De Gerando era a fase em que o caráter deveria ser formado, eram as tábuas rasas. O professor era responsável pelas qualidades morais e racionais, cuidando e protegendo a...
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