Diversidade e enfrentamento ao preconceito

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  • Publicado : 26 de setembro de 2011
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Para falar de igualdade é importante pensar sobre a instituição das categorias para criação das diferenças e o uso político destas para o exercício do poder.
A diferença compreendida como constituidora da diversidade humana é bela, enriquece a vida humana e afirma cada ser na sua singularidade.
No entanto, a conversão das diferenças de gênero, raça/etnia, deficiência e orientação sexual, entreoutras, em desigualdades são construções históricas geradas pela humanidade ao longo de sua história de uso do poder.
As ciências, voltando um pouco no tempo, nos últimos séculos, vão pensar e falar em torno de um sujeito abstrato e universal, como representação de toda a humanidade. Um sujeito nos moldes das propostas das verdades ocidentais – homem, adulto, branco, heterossexual e cristão.Esse modelo passa a ser o centro de todos os discursos, filosóficos, religiosos, médicos, jurídicos, científicos, etc., reafirmando-o. Nossa forma de pensar e de falar, ou seja, nossa linguagem e nosso imaginário foram aos poucos construídos em torno desse centro, desse modelo universal de humano. Assim, o que não corresponde a ele, rapidamente foi conduzido à condição de “outro”, ou seja,desqualificado.
Nesse contexto, construíram-se categorias de sujeitos que, por estarem na condição de diferentes, encontram-se em situação de maior vulnerabilidade, como crianças e adolescentes mulheres, negras(os), pessoas com deficiência, de orientação sexual e religiosa distintas, dentre outras.
Os movimentos sociais, como já mencionado anteriormente, foram importantíssimos para a mudança dessasrelações, propondo reivindicação de espaços, reformulação de leis, igualdade de direitos. Exemplo desse tipo de ação são os movimentos feministas, movimento negro, o movimento pelos direitos das pessoas com deficiência, o movimento de gays, lésbicas, travestis, transexuais e bissexuais, o movimento pelos direitos das crianças, dos adolescentes, dos idosos e o movimento por um Estado laico. Essestiveram importante papel para a transformação das concepções sobre o sujeito universal e trazendo esses ‘novos sujeitos’ para a luz do reconhecimento social.
A luta por direitos humanos trouxe, por um lado, uma série de conquistas destes direitos afirmados em nossa legislação. Entretanto, a conquista destes direitos na Lei não foi suficiente para alterar a realidade de discriminação e de preconceito,construída historicamente e que se encontra inserida na cultura e na mentalidade de nossa sociedade e presente no cotidiano de violações destes direitos.
Para efeito didático, diferenciamos aqui preconceito e discriminação. Podemos compreender discriminação no campo da desigualdade e, portanto, seu contraponto é a luta pela igualdade de direitos. Já o preconceito está no campo da intolerância, dadificuldade de conviver com o diferente e seu contraponto seria a afirmação da diversidade, o direito à diferença, com igualdade de direitos.
Preconceito é, tanto para as diversas linhas da sociologia e da psicologia, categoria cognitiva, é atitude, implica em emoções, sentimentos negativos ou de desconforto diante daquilo ou daqueles que são considerados diferentes.
É relacionado aos valores,à tradição cultural e à construção de mentalidades. E, portanto, o seu combate exige outros tipos de iniciativas distintas, exige a construção de estratégias e ações que visem interferir nestes valores, implica em esferas diferentes de ação. Preconceito não, necessariamente, se manifesta em ação concreta, pode “estar guardado”, como questiona a campanha “onde você guarda o seu preconceito?.”
Adiscriminação é ação concreta que implica em tratamento que desconsidera as necessidades e especificidades dos sujeitos concretos. Para ações de discriminação a Lei prevê sanções, punições, obrigatoriedades. Eu não posso discriminar negros, mulheres, crianças, homossexuais ou deficientes porque são diferentes do sujeito construído historicamente “homem, branco, adulto, heterossexual, sem...
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