Ditadura

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IV Congresso Latino Americano de Opinião Pública da WAPOR – World Association for Public Opinion Research Área Temática 03 – Opinião Pública e Meios de Comunicação

Imprensa e Poder: uma análise da ação dos jornais OESP e Folha de S. Paulo no Golpe de 19641.

Luiz Antonio Dias – Doutor em História Social (UNESP) Professor Titular da Universidade de Santo Amaro (UNISA) Professor AssistentePontifícia Universidade Católica (PUCSP) E-mail: luizhistoria@yahoo.com.br ladias@pucsp.br

Palavras Chaves: Meios de Comunicação, Jornais, Golpe de 1964, Governo Goulart.

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Esse trabalho é fruto de uma pesquisa realizada entre 2004 e 2006, com apoio institucional e financeiro da

Universidade de Santo Amaro. Parte dessa pesquisa foi publicada em 2010. DIAS, Luiz A. - Informação e Formação:apontamentos sobre a atuação da grande imprensa paulistana no golpe de 1964. O Estado de S. Paulo e a Folha de S. Paulo.. In: Nilo Odalia; João Ricardo de Castro Caldeira. (Org.). História do Estado de São Paulo: a formação da unidade paulista.. 1 ed. São Paulo: Imprensa Oficial/Editora UNESP/Arquivo do Estado, 2010, v. 3

Resumo: Análise da atuação dos dois principais diários de São Paulo – OEstado de S. Paulo e a Folha de S. Paulo – durante o processo que levou ao golpe militar de 1964. Destaque especial para os editoriais, elementos de veiculação da opinião dos jornais e também das manchetes, pelo seu caráter impactante. Apontamentos para a compreensão da forma de atuação desses jornais, formação de uma opinião pública favorável à intervenção militar; articulações com outroselementos da sociedade civil e ligações com organismos de atuação política, como, por exemplo, o IPES (Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais) e IBAD (Instituto Brasileiro de Ação Democrática), notoriamente vinculados aos setores golpistas da sociedade brasileira.

Introdução A eleição presidencial de 1960 demonstrou um claro apoio eleitoral às propostas populistas. Jânio Quadros, apoiado pela UDN,obteve 48% dos votos e elegeu-se presidente. Por outro lado, mas também com um discurso populista, foi eleito João Goulart, do PTB, para a vicepresidência. O governo Quadros começou com um programa antiinflacionário ortodoxo e inflexível, obtendo sucesso nas negociações com credores estrangeiros. Os esforços de estabilização interna repercutiram bem no exterior. Passou-se a acreditar que JânioQuadros conseguiria reverter a situação de crise econômica. No entanto, no aspecto político a prática populista e personalista de Jânio gerou uma sucessão de crises, inclusive com a própria UDN. Alegando pressões e dificuldades cada vez maiores encontradas por seu governo, em 25/08/1961, Jânio Quadros renunciou à presidência, com pronta aprovação do Congresso. Toledo (1982), ao analisar o episódioentende que a renúncia constituiria um “primeiro ato golpista”, pois Jânio acreditava que seria reconduzido ao poder através do “clamor popular”. Dessa forma, buscaria condicionar sua volta ao cargo presidencial à limitação do poder do Congresso. Porém, se Jânio errou ao prever seu retorno triunfal, acertou na previsão de que os militares tentariam impedir a posse de Goulart.

O vice-presidente,constitucionalmente eleito, João Goulart só logrou tomar posse após a “Campanha da Legalidade” (organizada pelo PTB e setores populares) e a mobilização do III Exército (RS) em seu apoio. Além disso, foi obrigado a aceitar a Emenda Constitucional que implantou o parlamentarismo. Ou seja, Goulart tomaria posse, mas teria limites para governar. Tem início um período em que a expressão “golpe” – dedireita ou esquerda – tornou-se corrente na grande imprensa e no cotidiano da população. Desde a posse de Goulart, setores de direita já planejavam sua queda, os acontecimentos de março de 1964 – Comício pela Reformas de Base, na Guanabara; Revolta dos Sargentos; Lei de Remessa de Lucros – serviram como justificativa para a intervenção das Forças Armadas no processo político. “Ao cultivar o...
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