DITADURA MILITAR: O PAPEL DA MÚSICA POPULAR BRASILEIRA NO PROCESSO DE RESISTÊNCIA POLÍTICA PARA MULHERES NA SITUAÇÃO DE PRISÃO E TORTURA.

4480 palavras 18 páginas
DITADURA MILITAR: O PAPEL DA MÚSICA POPULAR BRASILEIRA NO PROCESSO DE RESISTÊNCIA POLÍTICA PARA MULHERES NA SITUAÇÃO DE PRISÃO E TORTURA.
Flávia Gotelip Corrêa Veloso; Ingrid Faria Gianordoli-Nascimento; Laís Di Bella Castro Rabelo; Sara Angélica Teixeira da Cruz Silva; Priscila von Randow Ferreira.

Do cenário político à resistência coletiva
Os dados aqui apresentados são parte de pesquisa desenvolvida em curso de doutorado que buscou investigar a participação feminina na militância política durante a ditadura militar brasileira (1964-1982)1. O período da ditadura militar, instaurada no país em 1964 que perdurou até 1985, marcado por uma sucessão de mudanças políticas, econômicas, sociais e culturais, caracterizou-se também pela gradativa e intensa repressão político-social aos seus opositores. Entre os grupos de resistência ao regime surgiram movimentos pela ruptura de regras morais e pela redução das desigualdades, entre elas a de gênero, destacando-se a militância política de mulheres que quando jovens assumiram um papel inédito tanto no campo da política quanto no das relações de gênero, rompendo com os códigos de sua época.
As informações que compõe a historiografia oficial desse período estão sendo remontadas por pesquisadores de diversas áreas. Nessa construção, Gianordoli-Nascimento (2004) afirma que
“A historiografia oficial de uma etapa importante para a constituição da memória social brasileira contemporânea, os anos da ditadura militar, só agora começa a assimilar, de forma mais sistemática, os depoimentos de alguns dos principais envolvidos nos acontecimentos desse período: os perseguidos por esse regime político de exceção.” (GIANORDOLI-NASCIMENTO, 2004, p.23).
Nesse sentido, também foi observada uma ausência de debates sobre o assunto durante os 30 anos subseqüentes à queda do regime, o que poderia sinalizar uma tentativa mais de “esquecer do que recordar com espírito crítico um passado que, visivelmente, mais incomodava que interessava a

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