Discurso e cidade: nas materialidades discursivas do primeirvo voto feminino

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DISCURSO E CIDADE:
NAS MATERIALIDADES DISCURSIVAS DO PRIMEIRVO VOTO FEMININO

Macely Batista de Souza Alves (UERN) *
Orientador: Edgley Freire Tavares (UERN) **


Discurso e Cidade – efeitos de sentido e interpretação

No decorrer dos seus 136 anos, a cidade de Mossoró, no interior do Rio Grande do Norte, viu surgir uma série discursiva que busca instituir na cultura local os sentidosde uma terra de vanguarda, de resistência e de liberdade.
Todos os anos a cidade faz um resgate de seu passado, através de várias manifestações culturais em que celebram as conquistas do seu passado vitorioso e reforçam o discurso de um povo vanguardista que não tem medo de lutar por seus direitos. Dentre esses acontecimentos, um em especial teria colocado o nome da cidade no cenário nacional emesmo mundial. O primeiro voto feminino, vinculado ao fato de ter tido a cidade a primeira eleitora oficialmente inscrita como tal na América Latina.
À época, como mostra Rodrigues (2003), o estado era governado por José Augusto Bezerra de Medeiros que sancionou de forma pioneira o voto da mulher, em eleições. O que não era permitido no Brasil, mesmo a proibição não constando na constituiçãofederal. Foi em 25 de outubro de 1927 que Celina Guimarães Viana, professora, juíza de futebol, casada com o bacharel Elizeu de Oliveira Viana, mulher atuante em Mossoró, tornou-se a primeira eleitora inscrita não só no Brasil, mas na América Latina. O ato teve importância Mundial, pois vários países, como a Inglaterra somente liberaram a inserção da mulher no cenário político em data posterior aofeito mossoroense. Interessa-nos, precisamente, o modo como este acontecimento possibilitou uma série de enunciados em torno dessa vanguarda e os efeitos de sentido que se produzem nessas práticas de discurso que fazem da cidade de Mossoró lugar de emancipação política da mulher e tendo em sua história a heroína dessa conquista democrática. Ao problematizar esse discurso do primeiro voto feminino daAmérica
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* Graduou-se em Letras – Língua Portuguesa e respectivas Literaturas da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) em 2011.
** Professor do Curso de Graduação em Letras da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN).

Latina, buscamos descrever e interpretar as relações discursivas e não discursivas constituídas nessaprática e o funcionamento dos enunciados.
Para compreendermos este acontecimento histórico e discursivo devemos refletir um pouco sobre a trajetória das mulheres em busca de igualdade de direitos, já que os enunciados do nosso corpus produzem sentidos ligados a esta historicidade. Dessa forma, é preciso lembrar que, antes do século vinte as mulheres não eram vistas no espaço público, elas apenasatuavam no seio da família, ou seja, em casa (PIERROT, 2007). A mulher devia obediência e total submissão ao pai e depois ao casar-se ao marido. Poucas tinham permissão para estudar, não tinham voz na sociedade, eram como diz Michelle Perrot (2007) “invisíveis”. Os homens eram considerados superiores às mulheres. Era necessário que se desfizesse o mito da hegemonia de um sobre o outro e se pensasse quepara haver cidadania era preciso existir a diversidade.
De acordo com Jane Cortez Firmino (2003) a história das mulheres começou a mudar a partir do século XX, após a segunda guerra mundial. Com o advento do capitalismo e o desenvolvimento industrial e urbano as mulheres resolveram quebrar o silêncio que as oprimiram por séculos e formaram movimentos feministas que defendiam a igualdade dedireitos, a liberdade e a oportunidades de estudar e trabalhar em profissões fora do lar.
O Rio Grande do Norte colocou-se à frente dos demais estados brasileiros, e da América Latina quando foi aprovada a Lei nº660, art. 77, de 25 de Outubro de 1927 dando a mulher o direito de interferir na política norte-rio-grandense. Direito pelo qual lutaram o governador do estado José Augusto e o senador...
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