Direitos Humanos

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Os direitos humanos na zona de contacto entre globalizações rivais1
Boaventura de Sousa Santos – Universidade de Coimbra

RESUMO
O nosso tempo não é um tempo de respostas fortes. É antes um tempo de perguntas fortes e de respostas fracas.
Diante deste facto, este artigo interroga: Serão os direitos humanos afinal uma resposta fraca para alguma interrogação forte que elessimultaneamente revelam e ocultam? Para responder a essa interrogação, são analisados os
direitos humanos nas zonas de contacto entre as globalizações: a globalização hegemónica neoliberal, a globalização contra-hegemónica e a globalização da religião política. A confluência e o confronto nas zonas de contacto
entre três globalizações criam quatro dimensões de turbulência: entre princípios e práticas, entreprincípios rivais,
entre raízes e opções e entre o sagrado e o profano. Sendo assim, apresenta que só reconhecendo as debilidades
actuais dos direitos humanos e suas relações com as dimensões da injustiça global, que é possível, construir a partir deles, mas para além deles, ideias e práticas de resistência fortes.
Palavras-chave: Direitos humanos. Globalização neoliberal. Globalizaçãocontra-hegemónica.

ABSTRACT
Our time is not a time of strong answers. It is before a time of strong questions and of week answers. Faced with this
fact, this article interrogates: Would be the human rights after all a week answer for some strong interrogation that
they simultaneously reveal and hide? To answer that interrogation, the human rights in the zones of contact between
the globalizationsare analyzed: the neoliberal hegemonic globalization, the globalization counter-hegemonic and
the globalization of the political religion. The confluence and the confrontation in the zones of contact between
three globalizations create four dimensions of turbulence: between principles and practical, between rival principle,
between roots and options and between the sacred and the profane.Therefore, it presents that just recognizing the

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Texto apresentado ao Colóquio “Globalização, Direitos Humanos e Cidadania” realizado na Universidade Federal do Rio Grande
do Norte (Natal, 31 de Agosto de 2006).

Cronos, Natal-RN, v. 8, n. 1, p. 23-40, jan./jun. 2007

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current weaknesses of human rights and their relations with the dimensions of the global injustice, that is possible,build from them, but for beyond them, ideas and practices of strong resistance.
Keywords: Human rights. Neoliberal globalization. Counter-hegemonic globalization.

INTRODUÇÃO
Não é fácil teorizar sobre os direitos humanos nos tempos que correm. Os direitos humanos pretendem ser uma resposta forte para os problemas do mundo, tão forte que se pretende universalmente
válida. Ora parece cada vezmais evidente que o nosso tempo não é um tempo de respostas fortes. É antes
um tempo de perguntas fortes e de respostas fracas. Serão os direitos humanos afinal uma resposta fraca
para alguma interrogação forte que eles simultaneamente revelam e ocultam?
As perguntas fortes são as que se dirigem não apenas às nossas opções de vida individual e colectiva, mas sobretudo às raízes, aos fundamentosque criaram o horizonte das possibilidades entre que
é possível optar. São, por isso, perguntas que causam uma perplexidade especial. As respostas fracas
são as que não conseguem reduzir essa perplexidade e que, pelo contrário, a podem aumentar. As perguntas e as respostas variam de cultura para cultura, de região do mundo para região do mundo. Mas
a discrepância entre a força das perguntas ea fraqueza das respostas parece ser comum. E resulta da
multiplicação em tempos recentes das zonas de contacto entre culturas, economias, sistemas sociais e
políticos, formas de vida diferentes em resultado do que chamamos vulgarmente globalização (SANTOS,
2002a, 2006a). As assimetrias de poder nessas zonas de contacto são hoje tão grandes quanto eram no
período colonial, se não maiores. Mas...
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