Direitos humanos

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Educação em Direitos Humanos: fundamentos teórico-metodológicos -

7 - Direitos humanos:

Sujeito de direitos e direitos do sujeito1

Theophilos Rifiotis

A História de João e Maria

João e Maria moravam com o pai e a madrasta em uma choupana próxima da floresta. O pai de João e Maria era lenhador e a família passava por dificuldades. Uma noite, a mulher queixou-se ao marido: “A comidaacabou e estamos sem dinheiro para comprar mais. Precisamos abandonar os dois na floresta. Não temos como sustentá-los.” “Abandonar?!”, exclamou o lenhador. “Não pretendo fazer isso com meus filhos!” Mas acabou aceitando a idéia.

As crianças escutaram tudo. Maria desatou a chorar: “E agora, João? Sozinhos na floresta, nós vamos nos perder e morrer.” “Não chore”, tranqüilizou-a o irmão, “Tenhouma idéia...”

No dia seguinte, o casal saiu para trabalhar e levou as crianças para a floresta. A madrasta os abandonou num lugar bem distante. No caminho, João deixou cair pedacinhos de pão para marcar o caminho e poderem voltar para casa. Mas os pássaros comeram os pedacinhos de pão.

Durante três dias e três noites as crianças vagaram pela floresta, sem achar o caminho de casa. Até quedescobriram uma casa feita de pão-de-ló, com telhado de chocolate e janelas de pão de mel. Famintos, João e Maria puseram-se a comer a casa, até que alguém gritou: “Quem está comendo a minha casa?” De repente, saiu da casa uma velha muito feia. João e Maria se assustaram, mas a velha sorriu, mostrando a

1 Texto elaborado a partir de estudos realizados como membro da Comissão de Direitos Humanos daAssociação Brasileira de Antropologia (ABA), 1998-2000 e 2004-2006, e como coordenador do Projeto “Educação em e para os Direitos Humanos em Santa Catarina” financiado pela SECAD/MEC e SEDH no âmbito do Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos em 2006. Participaram do projeto Danielli Vieira e Emilia Juliana Ferreira, do Curso de Graduação em Ciências Sociais, e João Francisco Kleba Lisboa,do Curso de Direito, além de Tiago Hyra Rodrigues, doutorando do Programa de pós-graduação em Antropologia Social da Universidade Federal de Santa Catarina.

Educação em Direitos Humanos: fundamentos teórico-metodológicos

boca desdentada e disse: “Não tenham medo, crianças. Vejo que vocês estão com fome. Entrem, vou preparar um delicioso jantar para vocês.” João e Maria jantaram e foramdormir felizes.

Eles não sabiam que a velha era uma bruxa que comia crianças e, para atraí-las, tinha construído a casa de doces. “Estão em meu poder, não podem me escapar. Mas estão muito magros”, pensou a bruxa. Na manhã seguinte, enquanto eles dormiam, a bruxa prendeu João no porão e depois sacudiu Maria gritando: “De pé, preguiçosa! Vá tirar água do poço, acenda o fogo e apronte uma refeiçãopara seu irmão. Ele está trancado no porão e tem de engordar bastante. E aí vou comê-lo!”

Maria chorou e se desesperou, mas foi obrigada a obedecer. Cada dia cozinhava para o irmão, e a bruxa, que não enxergava bem, ia até o porão e mandava: “João, me dá o seu dedo, quero saber se você engordou.” Mas o esperto João, em vez de um dedo, estendia-lhe um ossinho de frango. A bruxa zangava-se, poisapesar do que ele comia continuava magro!

Um dia a bruxa perdeu a paciência: “Maria, acenda o fogo logo e coloque água para ferver. Magro ou gordo, vou comer seu irmão.” A menina chorou, suplicou em vão. Maria colocou no fogo o caldeirão cheio de água, enquanto a bruxa acendia o forno para assar o pão. Na verdade, ela queria assar a Maria e cozinhar o João. Quando o forno estava bem quente, abruxa disse à menina: “Entre ali e veja se a temperatura está boa para assar pão.” Mas Maria, que não confiava na bruxa, disse: “Como se entra no forno?” “Você é mesmo uma boba! Olhe para mim!” E a bruxa enfiou a cabeça dentro do forno. Maria então empurrou a bruxa para dentro do forno e fechou a portinhola com uma corrente. A malvada queimou até o último osso. A menina então correu e libertou o...
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