Direitos humanos

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  • Publicado : 30 de abril de 2012
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Os Direitos Humanos estão distantes de crianças como João e Bilú e da realidade vivida por grande parte de crianças e adolescentes não apenas do nosso país, mas em diversos cantos do mundo. Enfim, há uma grande distância entre os documentos oficiais de apoio à criança e o adolescente e a realidade  vivida por esses cidadãos que vivem à margem social. Além da ausência do Estado, há a ausência dafamília, violência e exploração do trabalho infantil. Diante desse cenário, visa à necessidade de se fazer presente na sociedade leis mais efetivas,  que não fiquem apenas registradas em papéis, mas que se concretizem em benefício das crianças e adolescentes que se encontram nesta dura realidade.aclamada Declaração Universal dos Direitos das Crianças ou no nosso Estatuto daCriança e do Adolescente,mas que não temos conseguido garantir minimamente parauma grande parcela das nossas crianças. Assim, a “infância querida” de que fala osversos do poeta carioca não existe para boa parte das crianças nem faz parte daslembranças de muitos dos adultos.

Os diretores Mehdi Charef, Emir Kusturica, Spike Lee, Jordan e Ridley Scott,Stefano Veneruso, John Woo e a brasileira Katia Lund compuseram umatriste, masbela obra de arte. Como toda obra de arte, este filme comporta muitas leituras e análises.Entre tantas possibilidades, escolhi algumas para comentar brevemente.Infâncias, contexto histórico, natureza e classe socialNas películas que compõem o filme Infâncias Invisíveis estão imbricados diversos temas, tais como a existência de guerras, a exploração do trabalho infantil, osconflitosfamiliares, a dependência de drogas e a desigualdade social. A própria presença desses temas indica a estreita vinculação da infância não só com características individuais de crianças ou de adultos, mas com o momento histórico e as condições sociais, econômicas e políticas nas quais concretamente ela é vivida. Estas pequenas histórias deixam claro que não há uma, mas muitas infâncias. Como afirmamDahlberg,

Moss e Pence (2003, p. 21):

A infância, como construção social, é sempre contextualizada em relação ao tempo, ao local e à cultura, variando segundo a classe, o gênero e outras condições socioeconômicas. Por isso, não há uma infância natural, e nem uma criança natural ou universal, mas muitas infâncias e crianças. Esta afirmação sintetiza um conjunto de conhecimentos que vem sendoconstruído acerca das infâncias e das crianças. Conhecimentos que mostram que as crianças estão imersas em práticas sociais, das quais participam e através das quais, de diferentes maneiras e posições, vão se apropriando de idéias, valores, habilidades, desejos, necessidades. Não só as teorias sócio-construtivistas de desenvolvimento têm chamado a atenção para o papel decisivo das interaçõesestabelecidas entre as crianças e entre estas e a cultura e a sociedade nas quais elas estão inseridas para as suas aquisições nos campos: afetivo, moral, cognitivo/linguístico cultural, social etc. Também a Sociologia da Infância traz para o centro da discussão essas relações ao afirmar as crianças como atores sociais plenos e ao considerar a infância uma construção social.

Tais conhecimentos,no entanto, não parecem participar das concepções mais frequentemente encontradas acerca de infância e de crianças. De um modo geral, essa construção ativa da infância é desconsiderada, ainda prevalecendo uma imagem descontextualizada e simplificada, que muda ao sabor dos interesses dominantes.



Alguns autores nos ajudam a pensar como a maneira de ver a infância tem variado ao longo dotempo ou até num mesmo tempo histórico. Ariès (1981), por exemplo, apontou que a maneira de se perceber a infância vem mudando ao longo dos tempos (tomou como referência o final da Idade Média). Atualmente, aspectos da metodologia por ele empregada e algumas de suas conclusões estão sendo alvo de contestação. No entanto, esse autor teve o mérito de chamar a atenção para o fato de que o...
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