Direito

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  • Publicado : 28 de outubro de 2011
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Justiça, razão, fé e amor: sua evolução e interligação na filosofia do direito, da idade média aos dias atuais.

1. Prolegômenos – A humanidade à beira da eternidade

Antes de tudo, é importante frisar que não somos filósofos, tampouco filósofos do direito. Somos meros profissionais de diferentes áreas em busca de novos conhecimentos, novos pensamentos, novos sentidos, de um novo coração.Visamos crescer com o que aprendemos em classe e com as tramas da vida. Procuramos evoluir como quem sobe os degraus de uma escada, não os levando conosco egoisticamente impedindo que outros também os galguem, mas sedimentando um caminho de crescimento conjunto, contínuo e harmonioso. Almejamos não somente acrescentar mais alguns dados a uma informação já dominada, mas procuramos realizar umacomunhão de conhecimentos, mesclando-os de forma a se tornarem de nível mais elevado, ao menos para nossa singular existência. Se o direito realmente tem algo a ver com liberdade, talvez possamos perceber que o mesmo tem suas raízes enterradas profundamente no coração humano.

Feita a ressalva, intentaremos demonstrar a possível interligação entre conceitos aparentemente desconexos como fé e razão,justiça e amor, concernentes a mundos tão distintos, mas todos instrumentos para a busca de uma sociedade justa. Será possível a razão e a fé andarem lado a lado tendo por objetivo uma sociedade harmoniosa em que pese sua natureza belicosa? Sem pretensões doutrinárias, o presente trabalho busca mostrar possíveis conexões entre estes entes que permitam explicar a atual crise vivenciada pelo Direitoenquanto mero instrumento a serviço de poucos. Procuraremos demonstrar que cada época tem o seu espírito e cada século as suas próprias filosofias, fisionomias e modas.



2. Breve síntese da história da Filosofia – O inimigo interior

A filosofia, de etimologia das palavras philo (amor) e sophia (sabedoria), nos remete a um esforço de compreensão e entendimento, lato sensu, em uma reflexãoprofunda sobre a finitude humana e a questão da salvação. É, não somos eternos, ao menos nesta dimensão. E contrariamente ao lugar comum, a filosofia é muito mais a arte das respostas do que a das perguntas. Neste contexto, listamos cinco grandes momentos da filosofia na história ocidental.

Estoicismo: Para os estóicos, a tarefa primeira da filosofia é ver o essencial do mundo, o que nele é maisreal, mais importante, mais significativo, sendo esta essência a harmonia, a ordem, simultaneamente bela e justa e que os gregos designavam de cosmos. Para os estóicos vamos morrer, isto é fato; entretanto, o sábio poderá, graças a um justo exercício do pensamento e da ação, alcançar certa forma humana, se não de imortalidade, pelo menos de eternidade. A morte não será o fim absoluto de todas ascoisas, mas sim uma passagem de um estado a outro no seio do universo cuja perfeição global possui uma estabilidade absoluta. Ou seja, a salvação ocorre de forma anônima e impessoal.

Cristianismo: Sem regateio, o cristianismo promete tudo o que queremos: imortalidade pessoal e salvação de nossos entes queridos com a promessa de os reencontrarmos em outro plano, motivo mais que justificável paraque sepulte a visão grega estóica. A figura do Cosmos aqui é substituída pela presença de um Deus vivo, Cristo, que apenas nos pede a limitação da razão dando lugar à fé. A filosofia, tornando-se não mais doutrina de salvação, mas sua mera serva, torna-se uma escolástica (literalmente disciplina escolar), ou seja, não mais uma sabedoria ou disciplina de vida. É inegável que diferentemente dosgregos, que acreditavam em uma hierarquia natural dos seres humanos, o Cristianismo lançou a base da igualdade entre todos os homens independente de sua origem, sendo o livre-arbítrio fundamento da moral, que nada mais é que a liberdade de escolha. Neste sentido, portanto, o cristianismo opera revolução no pensamento e que se fará sentir até na Declaração dos Direitos do Homem de 1789, pois pela...
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