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CURRÍCULO COMO MÁQUINA DESEJANTE


Ada Beatriz Gallicchio Kroef (UFRGS)

Maquinando uma análise

O presente trabalho parte de um estranhamento em relação ao que, convencionalmente é chamado de "currículo", para abordá-lo enquanto máquina. Para tanto, utilizo-me do conceito de máquina na perspectiva de Gilles Deleuze e Félix Guattari. Formulo duas concepções de currículo, que designo como:1) currículo-programa constituído por propostas curriculares oficiais e as ditas "alternativas", e 2) currículo-corte, como atalho, ruptura. Ambas configuram máquinas de diferentes naturezas: máquinas de Estado e máquinas de guerra. Caracterizo o "nomadismo curricular" como possibilidade de desterritorializações que interceptam os currículos oficiais e alternativos, para produzircurrículos-cortes. Estes tecem redes com diferentes suportes de saberes que circulam pelas trocas. Com isto, o sujeito responsável pelo resultado da ação desaparece, diluindo seus detentores. O currículo deixa, então, de ser currículo, pois é impossível apreender, reduzir a "currículo" uma infinidade de multiplicidades.

Interceptando currículos

A concepção moderna e disciplinar de sociedade utiliza aEducação como um dos instrumentos para garantir a integração, através da participação dos indivíduos iguais, em unidades pertencentes a uma totalidade. Esta Educação visa assegurar a cidadania, organizando uma espécie de programa, ordenado pelo currículo, que prepara para o exercício dos direitos e deveres. Tal concepção denota o currículo como um programa, que visa atingir resultados. O programaconfigura um roteiro de execuções, que se encontra associado às práticas disciplinares. Este roteiro objetiva um fim, através de um percurso calculado que busca um melhor desempenho. A disciplina faz-se necessária uma vez que, conforme Foucault, corresponde “à arte das distribuições” dos indivíduos no espaço e no tempo, conformando uma técnica de poder “capaz de compor forças para um aparelho eficiente”(Foucault, 1996, p.147). Além de normalizar os indivíduos, a disciplina distribui saberes, delimitando campos do conhecimento como matérias (conteúdos) curriculares. Desta forma, segrega, diferencia e hierarquiza saberes e conhecimentos. O currículo, como elemento que delineia os territórios identitários através da eleição do padrão e do reconhecimento pela representação, opera por analogias,semelhanças e igualdades. A operacionalização dos resultados desdobra-se na produção de identidades, corroborando um maior controle através de uma sujeição subjetiva.
As propostas de currículo alternativas ou reformadoras, tais como as que se utilizam de substratos como identidade e representação, incrementam a subjetividade capitalística por extensão, ampliando o repertório das identidadesreconhecíveis. Os limites dos territórios identitários são fronteiras fixas com muros sólidos. Neles, existem frestas e rachaduras toleráveis a modificações relativas, que não abalam seus alicerces selecionados enquanto origem/essência.
Ocasionalmente, quando o currículo é tomado como corte, atalho, abre-se um espectro de possibilidades, que modificam os limites e a lógica instituída pela subjetividadecapitalística. Ele deixa de ser o centro e passa a ser zona de atravessamento, na medida em que comporta muito mais do que matérias de um curso, de difusão de conhecimento e de cultura, tornando-se um espaço provisório de transformações. Os limites tornam-se mutantes, visto que são priorizados os processos e os ritmos dos grupos envolvidos, em detrimento da economia dos tempos e dos resultados. Oscortes geram criações. Não há a fixidez constitutiva das representações, que buscam preservar a origem, o ideal. Pelos cortes, passam os fluxos-desejos, que se tornam incomensuráveis e incomparáveis porque não há mais padrões. Não há mais muros que guardam essências, mas sim contornos mutantes, dobras movediças. O currículo não é considerado o centro da ação pedagógica e cultural, mas como um...
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