Desvalorização do real em 1999

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A crise da desvalorização do real em 1999, ou efeito samba, foi um forte movimento de queda do real que ocorreu no Brasil em janeiro de 1999, quando o Banco Central abandonou o regime de câmbio fixo, passando a operar em regime de câmbio flutuante.

Origens
A crise do real e a desvalorização cambial de janeiro de 1999 estão associados diretamente a problemas estruturais do Plano de combate àinflação implementado no Brasil. O Plano Real foi bem sucedido em controlar a inflação ainda em 1994. Entretanto, a implementação de políticas econômicas deflacionistas (juros elevados, baixo investimento estatal), associadas a um câmbio semi-fixo sobrevalorizado, gerou, ao longo dos anos, um grave acúmulo de problemas econômicos estruturais.
A "abertura" indiscriminada da economia, associada àsobrevalorização do real frente ao dólar e outras moedas consideradas "fortes" (Yen, Euro), tiveram consequências negativas como o crescimento dos déficits comerciais e enfraquecimento da indústria nacional. Os setores importadores da economia foram fortalecidos diante da facilidade de importação de produtos em dólar, em detrimento dos setores exportadores, cujos produtos ficavam mais caros e asvendas no exterior cairam. "Como decorrência, na etapa seguinte, surgem e avolumam-se saldos negativos na Balança Comercial (exportação/importação de mercadorias) e na conta de Transações Correntes (soma da Balança Comercial, da Balança de Serviços e das Transferências Unilaterais), colocando esses países numa situação de vulnerabilidade e dependência com relação ao fluxo de capitais estrangeiros".(FILGUEIRAS, 2006, p. 2)[1]
Na prática, o Brasil acabou sendo vitimado pelas menores taxas de crescimento do PIB das últimas décadas, associado a um processo de "desindustrialização".[2]
Os juros elevados tinham uma dupla função neste modelo de estabilização econômica. Primeiramente ajudavam a manter o fluxo "artificial" de capitais estrangeiros para o país, necesários para equilibrar a balançade pagamentos. Também ajudavam a controlar o consumo, reduzindo o potencial aparecimento da chamada inflação de consumo. Entretanto, a redução no consumo favorecia ainda o endividamento privado e o crescimento do desemprego.[1]
Para manter este sistema funcionando por mais tempo foi necessário injetar algumas dezenas de bilhões de dólares na manutenção do câmbio semi-fixo e das altas taxas dejuros. Parte destes recursos vieram do aumento da dívida externa, que no período 1994-2000 saltou de US$ 120 bilhões para US$ 250 bilhões [3]. Outra parte veio dos processos de privatização das empresas estatais, que resultou na desnacionalização de importantes empresas e serviços. Muitos economistas criticavam a manutenção de um câmbio sobrevalorizado por tanto tempo, já que a estabilização dainflação havia sido alcançada já em 1995.
Por fim, mesmo com o cortes de despesas públicas e o aumento da carga tributária, que possibilitaram superávits primários, a dívida externa e a dívida pública continuaram a crescer. A concentração de renda, o aumento da pobreza e a redução dos gastos sociais do governo facilitaram a crise social e política.[4]
A Crise asiática de 1997, seguida da Crise russa de1998 apenas aceleram as tendências, já que provocaram uma brusca queda no preço das commodities exportadas pelo Brasil e reduziram o crédito externo, dificultando a captação de dólares no exterior. Isto inviabilizou a manutenção de um câmbio sobrevalorizado como era o brasileiro até então. Os recursos obtidos internamente, com as privatizações, não eram mais suficientes e os juros elevados além deinviabilizar o crescimento interno, não atraíam mais capitais internacionais. O choque de preços no exterior fez esse desequilíbrio se tornar ainda maior.[5] Após as eleições de 1998, o governo brasileiro iniciou os preparativos para a desvalorização, que ocorreria na segunda quinzena de janeiro de 1999.
Desvalorização
No dia 13 de Janeiro de 1999, o presidente do Banco Central, Gustavo...
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