Dessonorização terminal (?): uma discussão sobre um estudo preliminar de percepção com oclusivas finais do inglês

4518 palavras 19 páginas
Jeniffer Imaregna Alcantara de Albuquerque1
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Universidade Federal do Paraná (UFPR)

jeniffer.albuquerque@gmail.com

Resumo: Este trabalho se insere na continuidade dos trabalhos sobre a percepção de oclusivas sonoras e surdas por falantes brasileiros, aprendizes de inglês como L2. A discussão sobre a dessonorização terminal (DT), que teve início com Eckman (1987), descrevendo-a como sendo a perda do traço sonoro em algumas obstruintes em posição final ganha, a partir de 2000, novos desdobramentos. A partir dos resultados de um experimento de produção de oclusivas finais do inglês por falantes brasileiros, o qual observou o fenômeno da DT como gradiente, este estudo, agora, foca nos trabalhos de percepção em L2 e os desdobramentos de um experimento preliminar sobre a percepção de oclusivas finais do inglês. Palavras-chave: dessonorização terminal; estudos de produção e percepção em L2; gradiência.

Introdução
Vários estudos que lidam com fenômenos ligados à aquisição de primeira e segunda língua se debruçaram sobre as semelhanças e distinções de ambos os processos de aquisição. Brown (1977) já elucidava que, embora as produções não sejam iguais em um e outro processo (aquisição de L1 e L2), alguns trabalhos apontam para a semelhança, por exemplo, das sequências gramaticais em algumas línguas, o que facilitaria o processo de aquisição do aprendiz. Também em (Krashen, 1982) encontramos uma preocupação não só linguística, mas também de ordem pedagógica, sobre os processos de aquisição de L2. Nesse estudo e, principalmente em outros trabalhos de Krashen, a questão parece girar em torno da aquisição de uma língua estar conectada com o que o autor chama de “filtro afetivo”, ou seja, mesmo que um aluno compreenda um enunciado, se este tiver barreiras com relação ao aprendizado da L2 em questão, não conseguirá utilizar, de fato, a informação ouvida. De acordo com Stevick (1976), a respeito do “filtro afetivo”, o aluno não conseguiria fazer uso da informação, pois o input

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