Desenvolvimento sustentável - um olhar crítico

Disponível somente no TrabalhosFeitos
  • Páginas : 11 (2645 palavras )
  • Download(s) : 0
  • Publicado : 11 de dezembro de 2012
Ler documento completo
Amostra do texto
INTRODUÇÃO

A partir da reflexão advinda dos textos específicos indicados para o seminário, vamos discorrer sobre o chamado “desenvolvimento sustentável”, termo muito presente na atualidade, o qual faz parte do vocabulário corrente no ambiente acadêmico, político, corporativo e, principalmente, nos meios de comunicação de massa. Pretendemos abordar os elementos econômicos e ideológicos contidosno conceito de desenvolvimento sustentável.
O Trabalho irá trazer um breve histórico da exploração ambiental, seguido pela dissertação da Apropriação da Ecologia Pela Lógica do Mercado. Ademais, falaremos sobre a Mercantilização e Financeirização da Natureza, bem como propor uma reflexão final do Ideário Marginalizado ao Ideário Mercantilizado.




















1. BreveHistórico

Para dissertar sobre os elementos econômicos e ideológicos contidos no conceito de desenvolvimento sustentável, é necessário um breve histórico do termo: o conceito de desenvolvimento sustentável tem suas raízes na década de 1970, onde se observava um crescente e desafiador movimento ecologista. Junto a isso, já se colocava na ordem do dia, nos países desenvolvidos, o problema dapoluição, o qual ficava cada vez mais classificado como um inevitável efeito colateral do processo de desenvolvimento industrial e tecnológico, o que podemos verificar no histórico colocado por Sachs(2000, p. 118):

“a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano realizada em Estocolmo em 1972, durante a qual o 'meio ambiente' surgiu na agenda internacional, foi proposta inicialmentepela Suécia, preocupada com chuva ácida, poluição no Báltico, e os níveis de pesticida e metais pesados encontrados em peixes e aves. Uma assim chamada internacionalização massiva que estaria ocorrendo por mero acaso projetou sua sombra antes de seu surgimento: o lixo industrial escapa à sobra nacional, não se apresenta na alfândega, não usa passaporte. Os países descobriram que não eram entidadesauto-suficientes, mas sujeitos à ação de outros países” (Sachs, 2000, p. 118)

Frente à polarização do debate entre desenvolvimentistas e os defensores do “crescimento zero” um casal de cientistas do MIT(Massachusetts Institute of Technology) lideram um estudo, encomendado pelo Clube de Roma, que veio a ser conhecido como o Relatório Meadows. Tal documento procurou apresentar uma terceira via emmeio à mencionada polarização “zeristas” versus “desenvolvimentistas” ao lançar o conceito “ecodesenvolvimento”, embrião do atual “desenvolvimento sustentável”, conforme esclarecem Misoczky e Böhm:

“O conceito de desenvolvimento sustentável surgiu com o nome de ecodesenvolvimento nos anos 1970. Foi fruto do esforço para encontrar uma terceira via opcional àquelas que opunham, de um lado,desenvolvimentistas e, de outro, defensores do crescimento zero. Para estes últimos, chamados de ‘zeristas’ ou (pejorativamente) ‘neomalthusianos’, os limites ambientais levariam a catástrofes se o crescimento não cessasse. A controvérsia opondo desenvolvimentistas e ‘zeristas’ iniciou-se com a publicação do relatório preparado pelo casal Meadows, do MIT, sob os auspícios do chamado Clube de Roma,sobre limites ambientais ao crescimento econômico [...]. Num primeiro momento, as reações de todas as correntes à conclusão do Relatório do Clube de Roma foram de rejeição. Para os economistas do mainstream porque, em primeiro lugar, havia razões teóricas para rejeitar a ideia de que os recursos naturais pudessem representar um limite absoluto ao crescimento econômico; em segundo lugar, pelasconsequências socioeconômicas e políticas do crescimento zero tanto para países pobres como para países ricos”. (ROMEIRO, in Misoczky e Böhm, 2012, p. 550)

2. A Apropriação da Ecologia Pela Lógica do Mercado

A elaboração presente no Relatório do Clube de Roma, que posteriormente deu origem ao livro “Limites do Crescimento”, não foi “comprada” de início pelo pensamento hegemônico, principalmente...
tracking img