Desenvolvimento local itabirito

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1 INTRODUÇÃO
1-
A)
A conclusão da revolução burguesa no Brasil parecia abrir novas possibilidades tanto para a acumulação do capital, como também para as forças democráticas das classes subalternas.
Para fazer frente ao avanço do movimento operário e à crise de valorização, visando atingir a desterritorialização e mundialização do capital, foi desencadeada uma ofensiva global contra o mundodo trabalho, contra o socialismo de Estado e contra os Estados subalternos mais consolidados.
Uma revolução técnico-científica e gerencial foi ativada a partir de fins dos anos 70 com o duplo objetivo de aumentar a produtividade do trabalho e quebrar o poder de negociação do sindicato. O resultado foi uma substancial alteração na própria materialidade do mundo do trabalho, com significativasalterações no perfil profissional derivadas da desqualificação, fragmentação e precarização nas relações de trabalho, além de uma desocupação estrutural massiva. Outra faceta das mais importantes assumidas pelo capital em crise tem sido a financeirização e a já aludida desterritorialização que permitem uma aceleração no processo de centralização e concentração, assim como uma reprodução ampliada quetende a se desmaterializar e se reduzir à fórmula do dinheiro que produz dinheiro.
É justamente nesse contexto que estudos locais ganham interesse,com o município assumindo funções que antes eram de responsabilidade de instâncias de poder superiores.

B)

O
desenvolvimento local é um tema que suscita controvérsias e sobre o qual é
difícil reunir consensos, tanto no Brasil quanto no debateinternacional.
Há quem diga que as experiências de desenvolvimento local são apenas
a expressão espacial de um novo arranjo industrial “pós-fordista” (Benko e
Lipietz, 1994). Há quem diga, por outro lado, que as experiências de desenvolvimento
local têm dinâmicas próprias e não são apenas o reflexo da reorganização
internacional do capital (Bacattini, 1994). Há ainda quem acredite
no local comoespaço privilegiado para experimentações contra-hegemônicas
(Santos e Rodríguez-Garavito, 2006).
Segundo Benko e Lipietz (1994), duas revoluções na organização dos
processos de desenvolvimento foram capazes de inverter a tendência de uma
nova organização espacial (desordenada) da produção industrial. A primeira
delas afetou as relações profissionais entre capital-trabalho. Com a crise dotaylorismo pós-guerra, a saída encontrada foi a mobilização dos recursos humanos
que se formavam não somente nas empresas, mas sobretudo na cultura
local, na tradição familiar, em suma, num sistema local em que se enriqueciam
as competências técnico-profissionais. A segunda está relacionada com a organização
industrial, a relação entre as empresas. Redes de empresas ligadas
por relações deparceria e subcontratação substituíram as grandes empresas integradas. Essas dinâmicas operam o regresso ao que era comum na geogra-
fia econômica do passado: os distritos industriais, em que se concentravam
empresas do mesmo ramo, dividindo trabalho e partilhando um saber-fazer
local (Altenburg e Meyer-Stamer, 1999).
Por outro lado, há quem defenda certa autonomia do local. Bacattini
(1994), emsua análise socioeconômica dos distritos industriais, ressalta o seu
sistema de valores e de pensamento homogêneo — expressão de uma ética do
trabalho e da atividade, família e da mudança — condicionando os principais
aspectos da vida local. Paralelamente a esse sistema de valores, desenvolveuse
um conjunto de instituições, normas e regras destinadas a propagar esses
valores a todo odistrito, estimulando sua adoção e a transmissão de geração
em geração. Essas instituições incluem não só o mercado, a escola e a Igreja,
como também as autoridades e organizações políticas locais, além de inúmeras
outras instâncias das esferas públicas e privadas, em termos econômicos,
políticos, culturais, religiosos e de solidariedade social. Para que tais dinâmicas
sociais possam funcionar sem...
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