Desconstruindo o preconceito linguistico

Disponível somente no TrabalhosFeitos
  • Páginas : 6 (1335 palavras )
  • Download(s) : 0
  • Publicado : 18 de setembro de 2012
Ler documento completo
Amostra do texto
RESUMO-A DESCONSTRUÇÃO DO PRECONCEITO LINGUÍSTICO
Marcos Bagno inicia esse capítulo do livro “Preconceito Linguístico”com uma pergunta: como poderemos romper o círculo vicioso do preconceito linguístico? E neste capítulo será uma tentativa de se ter essa resposta. Lembrando que o circulo vicioso é: a gramática tradicional; os métodos tradicionais de ensino; e os livros didáticos.Todoseles já comentados na última postagem.


Para encontrarmos a resposta da pergunta iniciada no capítulo, Bagno primeiro nos leva a algumas considerações. Ele comenta que já existem muitos professores alertados em debates e conferências ou pela leitura de bons textos que já não recorrem tão exclusivamente à gramática normativa. Só que infelizmente eles sentem falta de outros instrumentosdidáticos que o ajudem nessa abordagem diferenciada em função da sociolingüística.


Esse capítulo é essencialmente reservado a uma crítica, por que o acesso às formas prestigiadas de falar é exclusivo a poucas pessoas no Brasil? Diríamos que essa pergunta envolve razões políticas, econômicas, sociais e culturais. Podemos observar isso só na quantidade injustificável de analfabetos queexiste neste país.Mas não estamos falando só em analfabetos absolutos, existem aqueles que não compreendem textos mais longos, ou que ainda permanecem no nível básico e não são considerados completamente alfabetizados. Temos milhões de desempregados e ao mesmo tempo sobram vagas para cargos e funções que exigem um nível de formação um pouco acima daquela média. Com tantos analfabetos plenos efuncionais, lamentar a “decadência” ou “a corrupção” da “língua culta” no Brasil é, no mínimo, uma atitude cínica.


Segundo, por razões históricas e culturais, a maioria das pessoas plenamente alfabetizadas não cultiva nem desenvolvem suas habilidades lingüísticas. Ler e, sobretudo, escrever não fazem parte da cultura das nossas classes sociais mais escolarizadas. Além disso, nossapopulação socioeconômica mais privilegiada não faz da leitura um de seus hábitos culturais mais freqüentes. Bagno fala que o ensino tradicional em vez de incentivar o uso das habilidades lingüísticas do individuo, deixando-o expressar-se livremente, age exatamente ao contrário: interrompe o fluxo natural da expressão e da comunicação com a atitude corretiva (e muitas vezes punitiva). Comoconsequência, temos a criação de um sentimento de incapacidade e incompetência do falante.


Então realmente o problema está no modo como se ensina português e naquilo que é ensinado sob rótulo de língua portuguesa. A norma-padrão não corresponde à língua usada pelas pessoas cultas do Brasil nos dias de hoje, mas sim a um ideal lingüístico inspirado no português literário de Portugal, nas opçõesestilísticas dos grandes escritores do passado, nas regras sintáticas que mais se aproximem dos modelos da gramática latina, ou simplesmente no gosto pessoal de um gramático. A distância entre norma culta real (isto é, as variedades urbanas de prestígio) e a norma culta ideal (a norma-padrão convencional) são óbvias. Para separar o ideal do real, é necessário empreender a identificação e a descriçãoda verdadeira língua falada e escrita pelas classes privilegiadas do Brasil.


É preciso escrever uma gramática da língua urbana de prestigio brasileira em termos simples (mas não simplistas), claros e precisos, com um objetivo declaradamente didático-pedagógico, que sirva de ferramenta e prática para professores, alunos e falantes em geral. Sem essa gramática que nos descreva eexplique a língua efetivamente falada pelas classes mais letradas,continuaremos a mercê das gramáticas normativas tradicionais.


1. Mudança de atitude


Enquanto essa gramática não chega, temos que combater o preconceito linguístico.Segundo Bagno, para iniciarmos esse combate devemos ter uma mudança de atitude. Começando por elevar o grau da...
tracking img