Dengue

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O USO DAS REPRESENTAÇÕES CARTOGRÁFICAS NOS ARTIGOS DE DENGUE NO BRASIL Rafael de Castro Catão Mestrando em Geografia, Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade Estadual Paulista - UNESP rafadicastro@gmail.com Raul Borges Guimarães Professor do Departamento de Geografia, Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade Estadual Paulista – UNESP raul@fct.unesp.br

INTRODUÇÃO

O dengue é,sem dúvida, uma das principais arboviroses do mundo contemporâneo. Segundo estimativas da Organização Mundial de Saúde, aproximadamente, 2,5 bilhões de pessoas habitam países com circulação endêmica da doença. Por ano, os infectados chegariam a 50 milhões. Salvo a Europa, o dengue está presente em todos os continentes, com maior impacto na América Latina e no Sudeste Asiático (OMS, 2006). Oagente etiológico do dengue é um vírus, pertence à família Faviviridae, do gênero Flavivírus. Este vírus possui quatro sorotipos, biológica e antigenicamente distintos, mas sorologicamente relacionados, o DEN-1, DEN-2, DEN-3 e DEN-4. Todos eles causam tanto o Dengue como a Febre Hemorrágica do Dengue (TAUIL, 2001). Cada infecção por um desses sorotipos confere imunidade permanente para este etransitória para os demais, o que possibilita aos habitantes de áreas endêmicas de serem infectados por até quatro vezes durante seu período de vida (TAUIL, 2001; GUBLER, 1998). A seqüência de infecções, juntamente com a cepa do vírus infectante, as características das pessoas e a concomitância de outras doenças podem acarretar formas mais graves e letais da doença, como a Febre Hemorrágica do Dengue e aSíndrome de Choque do Dengue (TAUIL, 2001). O dengue tem como principal vetor o Aedes (Stegomyia) aegypti, espécie de culicídeo encontrado nos domicílios e peridomicílios das cidades, onde se alimentam e se reproduzem. Este mosquito faz a postura de seus ovos em depósitos que armazenam água

Realizado de 25 a 31 de julho de 2010. Porto Alegre - RS, 2010. ISBN 978-85-99907-02-3

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limpa eparada, principalmente os produzidos pelo homem, como garrafas, pneus, caixas d’água, materiais plásticos, entre outros. Apesar dos esforços de estudiosos de diversas áreas do conhecimento, inclusive geógrafos, essa doença não para de se expandir em todo mundo, alcançando áreas indenes e densificando sua atuação em países já endêmicos. Em muitos países, o dengue é considerado emergente, ou seja, erainexistente, mas foi introduzido e passou a ser um grande problema de saúde pública. Existem ainda alguns países em que o dengue é considerado reemergente, como no Brasil, uma vez que no passado havia a circulação da doença, mas mediante ações de combate foi erradicado durante um período, retornando posteriormente como um grande problema de saúde pública. O combate à doença se dá, sobretudo, pelaeliminação ou controle do vetor, que se constitui atualmente no elo mais frágil dessa cadeia de transmissão. A situação atual em todo mundo é tão preocupante que, no ano de 2006, um grupo de trabalho com a participação de diversos cientistas de vários países respondeu ao chamado da OMS e elaborou um relatório que afirma categoricamente: “no inicio do século XXI nós estamos falhando coletivamentepara resolver o desafio colocado pelo dengue” (OMS, 2006, p.1 tradução nossa). Para tentar resolver este grande desafio elaborou-se, então, uma agenda global de pesquisa do dengue, cuja uma das metas é o desenvolvimento de tecnologias relacionadas ao uso dos Sistemas de Informação Geográfica (SIG) para a vigilância e combate à doença. O desenvolvimento dessa ferramenta visa a melhoria na compreensãodeste fenômeno, na apreensão de sua difusão espacial, bem como na identificação de seus determinantes e condicionantes em diversas escalas geográficas para posterior ação. Sabemos que o uso do SIG e de ferramentas da cartografia temática pode nos auxiliar na compreensão espacial do dengue, com a possibilidade de relacionar aspectos socioespaciais e ‘naturais’, elaborar tipologias, entender a...
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