Democracia antiga e moderna

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  • Publicado : 12 de setembro de 2012
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aFinley utiliza como base a democracia antiga que teve sua origem na Atenas Clássica e a compara com o nosso sistema de governo. O autor faz uma crítica aos fundamentos modernos da democracia através dos fatos históricos ocorridos na Grécia Antiga, especificamente em Atenas, o berço da democracia clássica para mostrar as diferenças e semelhanças entre uma democracia e a outra e até que pontopodemos denomina-las da mesma forma.
Ele começa mostrando as concepções de democracia e a forma como o poder é exercido. Traz um conceito chave da nossa sociedade que é a “apatia política” que será tratado com mais detalhes mais à frente no texto.

A democracia na Grécia Antiga era participativa e dava-se por meio da assembléia em que todos tinham poder e voz de decisão.É importante ressaltar quena Grécia Antiga nem todos tinham os mesmos privilégios, nem eram considerados cidadãos com voz e voto na assembléia, A sociedade grega era uma sociedade escravocrata (a maioria), onde apenas os cidadãos (mulheres, crianças e estrangeiros eram impedidos de participar) tinham direito à participação nos negócios públicos. No entanto, o sentido de participação era tão amplo que fica quase queinconcebível hoje em dia. Imagine-se um grupo de dez mil pessoas reunidas em uma praça pública para discutir os problemas públicos, onde era reservado o direito de voz e voto a qualquer cidadão, e se chegar a várias decisões em um único dia! Também não havia restrições à participação nem quando os problemas eram extremamente complexos, altamente técnicos. Isso significa, em poucas palavras, que o povogrego, desde a mais tenra idade, era constantemente preparado para uma vida prática democrática. Os gregos inventaram uma palavra para isso: Isegoria. Isegoria era o direito universal que qualquer cidadão tinha de falar na Assembléia. A isonomia foi um outro termo cunhado naquela época e que hoje desapareceu completamente. Isonomia significa que todos são efetivamente iguais na prática.
O sentidomais forte da democracia, naquela época, era a inexistência de eleições para ocupar os cargos e funções públicas. Todos os cargos eram preenchidos por sorteio. As eleições, segundo Aristóteles, são formas aristocráticas de escolhas de governantes, não são formas democráticas. A aristocracia (palavra derivada de aristoi, que significa "os melhores", e kratos, que significa governo, mando) é uma formade exclusão da maioria, porque a maioria não será, jamais, os melhores. A maioria é justamente o povo (em grego, demos, que entre seus vários significados significa "o povo como um todo", "corpo de cidadãos" e "as pessoas comuns").
O governo da maioria é justamente o governo democrático. Por isso Aristóteles e Platão, assim como quase todos os grandes pensadores da época, são unanimemente contraum governo da maioria, um governo do povo, um governo democrático. Para eles, assim como hoje, o governo tem que ser exercido pelos melhores, os mais aptos, os mais competentes da sociedade. Naquela época se distinguia entre o governo de um só homem (a autocracia), o governo dos melhores (a aristocracia) e o governo do povo (a democracia). Na realidade, o que distinguia realmente, segundoAristóteles, a democracia da aristocracia era uma contingência, um acidente da natureza, que é a riqueza. Em qualquer sociedade, argumentava ele, os pobres vão ser sempre a maioria da população.
A preocupação de Aristóteles era evitar que o governo dos pobres se deteriorasse em um governo pelos interesses dos pobres. Essa preocupação tem todo um sentido para nós desconhecido: na sociedade grega, asdecisões tomadas eram obedecidas, porque o mais importante eram os interesses da pólis, da cidade-Estado. Pode-se associar esse argumento de Aristóteles a teoria de elites desenvolvida por Paretto onde o autor defende a existência em todas as esferas, em todas as áreas de ação humana, indivíduos que se destacam dos demais por seus dons, por suas qualidades superiores. Eles compõem uma minoria...