Demanda efetiva, emprego, propensão a consumir e efeito multiplicador

Páginas: 5 (1045 palavras) Publicado: 16 de novembro de 2011
2.1.3 John M. Keynes – Demanda efetiva, emprego, propensão a consumir e efeito multiplicador
John Maynard Keynes (The general theory of employement, interest and money, 1936), revolucionou a teoria macroecômica de tradição neoclássica, propondo que o capitalismo é um sistema econômico instável, cujos desequilíbrios não poderiam ser resolvidos automaticamente pelos mecanismos do mercado. Ocomportamento individual dos agentes econômicos – produtores, consumidores e assalariados, não observava a harmonia preconizada pela operação da “mão invisível” de Adam Smith, pelo contrário, podia originar situações de crises provenientes de insuficiência de demanda efetiva.
Keynes (1985), defendia a intervenção governamental na economia quando a mesma se encontrasse na condição de elevado nível dedesemprego involuntário e de insuficiência crônica de demanda efetiva, como forma de retomar uma nova etapa de crescimento, reaquecendo uma economia estagnada ou em recessão, o que não poderia acontecer como preconizado pela teoria neoclássica, através dos mecanismos auto reguladores do mercado.
[...] o emprego de certo número de homens em obras públicas produzirá [...] sobre o emprego agregadoum efeito muito maior, quando o desemprego for severo, do que mais tarde, quando o pleno emprego estiver prestes a ser alcançado.
Quando existe desemprego involuntário, a desutilidade marginal do trabalho é, necessariamente, menor que a utilidade do produto marginal. Na realidade, pode ser muito menor, pois certa quantidade de trabalho, para um homem que esteve muito tempo desempregado, em vezde desutilidade, pode ter utilidade positiva. Admitindo isto, o raciocínio anterior demonstra como os gastos inúteis provenientes de empréstimos [gastos públicos] podem, apesar disso, enriquecer no fim de contas a comunidade. A construção de pirâmides, os terremotos e até as guerras podem contribuir para aumentar a riqueza, se a educação dos nossos estadistas nos princípios da economia clássica forum empecilho a uma solução melhor. (KEYNES, 1985, p. 95-96).
Os movimentos cíclicos do capitalismo decorreriam das flutuações do nível de investimento da economia, sendo o seu caráter instável explicado pelas incertezas e os riscos com que se defrontavam os investidores capitalistas ao tentar prever o comportamento futuro da economia, fatores que, por conseqüência, acarretavam instabilidadetambém no nível de emprego dos fatores produtivos dessa economia.
Keynes, analisando a estrutura de custos, renda e lucro do empresário, deduz que:
[...] o volume do emprego depende do nível de receita que os empresários esperam receber da correspondente produção. Os empresários, pois, esforçam-se por fixar o volume de emprego ao nível em que esperam maximizar a diferença entre a receita e ocusto dos fatores. (KEYNES, 1985, p. 30).
Comparando a função da oferta agregada com a função da demanda agregada, Keynes afirma que o volume de emprego é determinado pelo ponto de interseção das duas funções, pois, neste ponto ocorrerá a maximização das expectativas de lucro dos empresários. O valor correspondente a este ponto de interseção constitui o que Keynes denomina de demanda efetiva. Asgrandes linhas da teoria keynesiana podem ser expressas como seguem, nas palavras do próprio autor:
Quando o emprego aumenta, aumenta, também, a renda real agregada. A psicologia da comunidade é tal que, quando a renda real da comunidade aumenta, o consumo agregado também aumenta, porém não tanto quanto a renda. Em conseqüência, os empresários sofreriam uma perda se o aumento total do emprego sedestinasse a satisfazer a maior demanda para consumo imediato. Dessa maneira, para justificar qualquer volume de emprego, deve existir um volume de investimento suficiente para absorver o excesso da produção total sobre o que a comunidade deseja consumir quando o emprego se acha a determinado nível. A não ser que haja este volume de investimento, as receitas dos empresários serão menores que as...
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