Darwin

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  • Publicado : 26 de abril de 2011
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O Pesadelo de Darwin (2005), de Hubert Sauper, é um documentário-denúncia que nos mostram o modo de produção de embalagens de perca do Nilo,desde que é pescada na Tanzânia até que chega à Europa.Vemos de forma inequívoca o funcionamentoinfernal da cadeia de alimentação e percebemos como todos fazemos parte dela. O olhar do realizador sobre o sistema – social, político e económico – que regula aexploração deste peixe, mostra uma realidade assustadora, sem apelo, sem solução à vista. É a grande política que é interpelada, não a pequena. Porém, o acto de de nunciar uma realidade gera só por sisuspeições fortes. Alguns críticos desvalorizaram o filme, considerando-o uma reportagem manipulativa. Revi-o, então, só para verificar se a informação transmitida não teria sido demasiadomanipulada, escorando-se no efeito emocional da visão do horror manso da existência. Mas confirmei as minhas impressões iniciais. É um filme extraordinário, sensível, subtil, inteligente - e actuante, noespírito dos espectadores. Ou seja: o argumento do realizador é muito claro, o seu olhar justo e humano, a veracidade dos factos fácil de atestar. Não há caminhos enviesados, postulados ideológicos, lógicasbombásticas ou condicionamentos emocionais. O filme não manipula ideologicamente; manipula, sim, como todos, cinematograficamente.
Pela montagem, pelo trabalho de sonoplastia, pela criação de climase tensões, pela força das personagens, pelo olhar metafórico. E pelo seu ponto de vista crítico, mas sem fazer juízos.O filme transporta ainda uma forte visão estética, mas sem cair num esteticismoque seria obsceno. É extraordinário, por exemplo, como um filme passado sob o sol de África pode parecer tão crepuscular, escuro e sujo.
Talvez seja o uso do vídeo e das suas potencialidades estéticasque o permite.Por outro lado, o uso de figuras metafóricas substitui muitas vezes a violência omitida: o homem da torre de comando que mata a vespa, o anúncio da coca-cola que diz “life tastes...
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