Daniel carvalho de melo

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Entrevista de Luiz Mott (2004)
In: A notícia.

O antropólogo e militante da causa gay Luiz Mott, há mais de 30 anos, defende os direitos dos homossexuais e a liberdade de orientação sexual de cada indivíduo. Mott afirma que as religiões estão cada vez mais fundamentalistas e intolerantes, o que justifica a violência e a discriminação que ainda vitima homossexuais. Erudito (ele se define como ointelectual orgânico da concepção gramsciniana), Mott é popular e extremamente bem-humorado. Conheça o que pensa o antropólogo.
AN - No Brasil, a discriminação contra os homossexuais é da idade do País?
Mott - O Brasil tem um triste destaque no cenário mundial. É o campeão de assassinatos de homossexuais. A cada dois dias, um gay, lésbica ou travesti é barbaramente assassinado, vítima dahomofobia. O Brasil tem uma tradição de intolerância em relação à homossexualidade que foi imposta pela própria tradição católica e reforçada pelo Tribunal do Santo Ofício da Inquisição. E ainda pela legislação civil. Desde a implantação das capitanias hereditárias, os primeiros regimentos permitiam que fossem condenados à morte os praticantes do crime de traição nacional, quem confeccionasse moedasfalsas, os hereges e os homossexuais. A sodomia era considerado o mais torpe, sujo e desonesto pecado. De modo que a condenação do "crime" de sodomia era bastante rigorosa. Segundo a crendice supersticiosa da época, o sodomita provoca a ira divina, causando inundações, tragédias, pestes. Até a AIDS, recentemente, teria sido um castigo divino.
AN - Por que a implicância das religiões com ahomossexualidade?
Mott - Segundo pesquisas antropológicas, 36% das sociedades humanas são hostis à homossexualidade. O restante é favorável. Infelizmente, o ocidente faz parte da civilização judaico-cristã (e isso ocorre nos países islâmicos) consideram a homossexualidade o maior dos pecados. A explicação antropológica para essa intolerância tem a ver com a política ou ideologia demográfica: os povosqueriam crescer sua população ao máximo. Qualquer ato sexual que não fosse reprodutivo ia contra esse projeto civilizatório.
AN - E no caso da Igreja Católica?
Mott - No caso específico da religião católica, há estudos de pesquisadores americanos e europeus que mostram que houve mais tolerância na Idade Média do que observado hoje em dia. A partir do século XIV, a Europa de torna extremamentepreconceituosa, dominando a partir daí o anti-semitismo e homofobia.
No que se refere às protestantes, que são as que têm demonstrado mais intolerância hoje, eu tenho uma explicação. Os homens protestantes, pelo código de moral estrita, rígida, eles fogem do padrão do macho típico latino-americano, o brasileiro. Eles não são conquistadores, eles não adulteram, não ficam assediando sexualmente asmulheres, casam virgens. O estereótipo do crente tradicional fica bem mais próximo do gay do que do machão. Exatamente para evitar o estigma, o perigo de serem tachados de homossexuais, existem os mecanismos de auto-reforço. Na verdade, a intolerância protestante se reflete nas várias seitas. Na Universal do Reino de Deus, por exemplo, existem sessões de exorcismo como se homossexualidade fosse possessãodemoníaca. Outras igrejas protestantes têm programa de cura de homossexuais, como Êxodus e Gênesis. Programas que já foram condenados pelo Conselho Federal de Psicologia como sendo um charlatanismo. Homossexualismo não é doença e por isso não há o que ser curado.
AN - Existem 70 teorias para tentar explicar as causas da homossexualismo. Existem hoje algum consenso?
Mott - Em primeiro lugar, otermo politicamente correto para definir o amor entre duas pessoas do mesmo sexo é homossexualidade e não homossexualismo. A idéia do "ismo" está ligada à uma patologia, a uma doença. Em 1985, o Conselho Federal de Medicina excluiu o homossexualismo como doença, mesma medida tomada em 1990 pela Organização Mundial de Saúde. Em 1999, o próprio Conselho Federal de Psicologia também reforçou que a...
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