Da pequena produção mercantil ao modo de produção capitalista

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Da Pequena Produção Mercantil ao Modo de Produção Capitalista - Ernest Mandel
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Extraído do livro Introdução ao Marxismo. Traduzido por Gustavo Henrique Lopes Machado, a partir do texto em espanhol disponível em: http://www.ernestmandel.org (grifo meu)

1. Produção para satisfação das necessidades e produção para a troca
Na sociedade primitiva e, depois, no seio da comunidadealdeã, nascida da revolução neolítica, a produção assentava essencialmente na satisfação das necessidades das coletividades produtivas. A troca era uma exceção e somente envolvia uma parte ínfima dos produtos de que dispunha a comunidade.
Uma tal forma de produção pressupõe uma organizção deliberada do trabalho. Por conseqüência, o trabalho é aí imediatamente social. Dizer organização deliberada dotrabalho não significa necessariamente organização consciente (nem certamente científica), nem organização minunciosa. Muitas coisas podem ser deixadas ao acaso, precisamente porque a atividade econômica não preside qualquer tendência para o enriquecimento. Os costumes, os hábitos ancestrais, os usos, os ritos, a religião, a magia, podem determinar a alternância e o ritmo das atividades produtivas.Mas estas são sempre essencialmente destinadas à satisfação de necessidades imediatas das coletividades e não à troca ou enriquecimento tornado um fim em si.
De semelhante organização da vida econômica destaca-se pouco a pouco uma forma de organização econômica diametralmente oposta. A partir de um processo de divisão do trabalho, da aparição de um certo excedente, o potencial de trabalho dacoletividade vai-se progressivamente fracionando em unidades (grandes famílias, famílias patriarcais) que trabalham independentemente umas das outras. O carater privado do trabalho e a propriedade privada dos produtos do trabalho, ou seja, dos meios de produção, interpõem-se entre os membros da comunidade. E impedem estes de estabelecer relações econômico-sociais deliberadas imediatamente entre si.Estas unidades ou indivíduos deixam de se relacionar uns com os outros na vida econômica, através de uma associação direta. Relacionam-se uns com os outros por intermédio da troca dos produtos do seu trabalho.
A mercadoria é um produto do trabalho social que se destina a ser trocado pelo seu produtor e não a ser consumido por ele ou pela coletividade de que faz parte. Pressupõe pois uma situaçãosocial fundamentalmente diferentes daquela em que a massa dos produtos é destinada ao consumo imediato das coletividades que a produzem. Há por certo casos transitórios (por exemplo, na nossa época, as chamadas formas de subsistêcia, que vende no mercado pequenos excedentes). Mas para apreender bem a diferença fundamental entre uma situação social na qual se produz essencialmente para o consumodireto dos produtores, e a situação na qual se produz para a troca, é preciso relembrar a resposta maliciosa do socialista alemão Ferdinand Lassale a um economista liberal da sua época: “sem dúvida, o Sr. Dupont-Dupont, empresáro funerário, fabrica, à partida, caixões para seu próprio uso e dos membros da sua casa, vendendo apenas o excedente que lhe resta...”

2. A pequena produção mercantil
Aprodução de mercadorias surgiu há 10 ou 12.000 anos no Oriente Médio, no quadro de uma primeira divisão do trabalho fundamental, entre artesão profissionais e camponeses, quer dizer, em conseqüencia da formação das primeiras cidades. Chamamos pequena produção mercantil a organização econômica na qual prevalece a produção para a troca por parte de produtores que continuam senhores de suas condições deprodução.
Embora tenha havido múltiplas formas de pequena produção mercantil teve o seu principal desenvolvimento entre os séculos XIV e XVI, na Itália do norte e do centro, bem como nos Países Baixos do sul e do norte, devido ao desaparecimento da servidão nesssas regiões e nessa épocas, e ao fato de que os proprietários de mercadorias, que se reuniam no mercado, eram aí, em geral, livres e...
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