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Tecnologias e novas educações

Tecnologias e novas educações*
Nelson Pretto Cláudio da Costa Pinto**
Universidade Federal da Bahia, Faculdade de Educação

O momento histórico contemporâneo é especial, porque vivemos uma era de profundas transformações em todas as áreas do conhecimento, da cultura e da vida social. Os ataques terroristas às torres gêmeas nos Estados Unidos, em 11 de setembrode 2001, foram marcantes em todo o planeta, e introduziram um divisor de águas nas discussões sobre o mundo con-

* Este texto foi construído como parte da pesquisa que o Grupo de Pesquisa Educação, Comunicação e Tecnologias vem desenvolvendo ao longo dos anos e, especificamente, como parte da pesquisa “Políticas públicas brasileiras em educação e tecnologia da informação e comunicação”,apoiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Especial agradecimento a Mary Arapiraca, pelas preciosas contribuições para a versão final. ** Este artigo, concluído recentemente, começou a ser produzido em parceria com Cláudio da Costa Pinto, doutorando da Faculdade de Educação (FACED) da Universidade Federal da Bahia (UFBA), que nos deixou, com saudades. Tínhamos ohábito de trocar idéias, textos e imagens pela Internet, com a intenção de produzir artigos. Conclui o texto, infelizmente sem ele.

temporâneo. Mais do que nunca, questões éticas, políticas e sociais tornam-se presentes, necessitando outros enfoques de análise. Desde a metade do século passado, as teorias vigentes vêm sendo postas em questão e a ciência vive um momento de grande ebulição,experimentando um movimento de transformação, na busca de novos paradigmas (será que ainda podemos falar em paradigmas?) que possibilitem explicar os fenômenos naturais e sociais de maneira mais ampla. As formas de organização da sociedade também foram mudando. Desde o êxodo dos judeus do Egito, empreitadas, empresas, guerras e a maioria das atividades humanas vêm sendo organizadas do modo hierárquico,vertical e de comando, geralmente representadas pelo organograma (Chiavenatto, 1999). Os princípios desse modelo, que aqui chamaremos de organização vertical de comando, estão impregnados na sociedade: as mães apelam para os pais (“– Quando o seu pai chegar...”); os vizinhos em litígio, para o síndico; os motoristas, para os guardas, e assim por diante, envolvendo-se sempre uma instância mediadorasuperior.

Revista Brasileira de Educação v. 11 n. 31

jan./abr. 2006

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Nelson Pretto e Cláudio da Costa Pinto

Os processos decorrentes da chamada globalização estimularam o desenvolvimento de uma forma alternativa de organização, caracterizada pela distribuição (do planejamento, da produção, das vendas) com uma pseudo-horizontalização de parte significativa do processo decisório.Agora não localizamos facilmente uma pessoa no topo do organograma. Passamos a referirmo-nos às empresas multinacionais, ao sistema financeiro – que passou a ser internacional –, ao comércio, aos serviços, sempre numa perspectiva planetária, e a própria produção de conhecimento parece estar seguindo esse modelo que poderíamos denominar de organização horizontal em rede. Um dos exemplos maislembrados na nossa história recente sobre esse modo de organização veio do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, durante a guerra fria, que, ao solicitar à Advanced Research Projects Agency (ARPA) uma rede de computadores capaz de continuar funcionando na ausência de um nó ou quebra de uma conexão, deu origem, em 1969, à rede Internet (ISOC, 2000), que se constitui na chamada rede das redes. Hámuitos exageros sobre a importância e o poderio da Internet, mas vale salientar que ela é posterior à invenção da organização social em redes, que, essencialmente, não depende dos aparatos telemáticos para se constituir, uma vez que se organiza através de outros códigos, como é o caso do tráfico nos morros do Rio de Janeiro e de muitos outros exemplos (Castells, 1999). No entanto, as redes de...
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