Cultura afro-brasileira

Disponível somente no TrabalhosFeitos
  • Páginas : 12 (2762 palavras )
  • Download(s) : 0
  • Publicado : 1 de novembro de 2011
Ler documento completo
Amostra do texto
ESTUDO SOBRE A CULTURA AFRO-BRASILEIRA

No Brasil, um país predominantemente marcado pela miscigenação, a definição de uma identidade nacional é controversa. Das três principais influências atuantes durante o desenvolvimento do povo brasileiro – a ameríndia, a européia e a africana – ora sobressaem-se individualmente, em espaços determinados, ora amalgamam-se e produzem um novo modelodetentor de aspectos próprios às três fortes culturas.
Percebe-se, por parte de alguns, a concessão de distintas participações e funções nesta construção de identidade nacional, originando uma verdadeira representação limitante e preconceituosa, que constantemente desconsidera a importância das culturas indígena e africana na sociedade. Por conta de insistentes reivindicações através dedécadas, nas quais foi fundamental a participação de movimentos organizados, foi aprovada uma Lei que obriga a inclusão no currículo do ensino fundamental e médio, tanto na rede privada quanto na particular, do ensino de Cultura e História Afro-brasileira. O presente estudo busca discutir as dificuldades na aplicabilidade dessa Lei.
O verbete do dicionário Houaiss para cultura – “conjunto decrenças, costumes, atividades, etc, de um grupo social” – amplia o conceito de tal forma que, no caso estudado, desfavorece sua compreensão por propiciar uma idéia de generalização dos assuntos relacionados à cultura Afro-brasileira. Costuma-se dizer que a religião é o candomblé, que a música é o samba e que a comida é a feijoada. Tudo muito simplificado, limitado e, até mesmo, erroneamente colocado aosestudantes.
A herança de uma educação branca e eurocêntrica condicionou a formação dos profissionais do
ensino a temas afastados das outras culturas, gerando um despreparo dos educadores em relação à África, o que se reflete nos livros didáticos e em suas aulas. O conteúdo da disciplina História é extenso e privilegia os assuntos costumeiramente abordados, legando à superficialidade osque não são compreendidos ou pouco dominados.
Fruto de um projeto de autoria dos Deputados Federais Ester Grossi (educadora) e Ben-Hur Ferreira (ativista do movimento negro), apresentado em 1999, a Lei 10.639, que altera a Lei de Diretrizes e Bases – LDB no artigo 26, só foi sancionada pelo Ministro Cristovam Buarque e pelo Presidente Luis Inácio Lula da Silva em 09 de janeiro de 2003, surgindocomo resposta do novo governo ao compromisso assumido em campanha de apoio às lutas da população negra. Posteriormente, foi criada uma pasta específica para assuntos relacionados à questão racial - a Secretaria Especial de Políticas e Promoção da Igualdade Racial – SEPPIR, em 23 de março de 2003.
A Lei causou inquietação no meio acadêmico. Para seu cumprimento era necessária uma alteração efetiva,tanto na grade curricular, quanto na já deficiente formação continuada dos docentes. A busca para suprir essa demanda promoveu o surgimento de livros, publicações, artigos e cursos de história e cultura Afro-brasileira. O reconhecimento da importância da Lei para a conscientização das diferenças e do preconceito evidentes no Brasil motivou simpósios, semanas acadêmicas e discussões
em salas deaulas das universidades.
A real necessidade de um conhecimento maior do conteúdo, agora obrigatório, leva a diversos questionamentos, que, cremos, devem impulsionar mais em direção à prática, que aos constantes debates de fundo ideológico. Essa prática, no entanto, suscita algumas interrogações que permeiam o assunto: de que forma esse conteúdo será oferecido aos estudantes? Onde, como equando encaixar mais esse tema aos inúmeros já existentes?
Ao sancionar a Lei, o governo desconsiderou a realidade e apenas procurou preencher uma lacuna incômoda, ou seja, cumprir finalidades políticas. Cabe ao professor lidar com a questão e fazer valer a nova determinação. Os debates sobre conteúdos programáticos tornaram-se cada vez mais acalorados. Os mais tradicionais refutam a idéia...
tracking img