Crises febris

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  • Publicado : 31 de outubro de 2012
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CRISES FEBRIS







1. Introdução

As convulsões febris, ou atualmente referidas como crises febris, são definidas como crises convulsivas ocorrendo em crianças entre 1 mês e 5 anos de idade, sendo raras antes dos 6 meses, apresentando quadro de febre, mas sem histórico de desordens neuropsiquiátricas, e sem doenças neurológicas concomitantes.

A primeira crise ocorre emmédia entre os 18 e os 22 meses, podendo ser do tipo simples ou complexa. No primeiro caso ocorre uma única crise tônico-clônica generalizada, em duração de cerca de cinco minutos. Já os casos complicados ou complexos são considerados quando ocorrem com duração maior que quinze minutos e/ou recorrência em menos de vinte e quatro horas e/ou com manifestações neurológicas pós ictais (após orestabelecimento das funções cerebrais normais).

São o problema neurológico mais comum na infância, representando cerca de 50% das convulsões na faixa etária.



2. Epidemiologia

A incidência de convulsões febris (CF) varia de 2% a 5%, apesar de alguns estudos demonstrarem áreas com até 14% de crianças acometidas. Para o Brasil, estima-se que CF ocorra em cerca de 4% das crianças.Quanto à possibilidade de recorrência, estima-se que 70% dos acometidos apresentem apenas um quadro de CF ao longo da vida. Outros 20% apresentarão um segundo episódio e, os 10% restantes, terão crises recorrentes. Observa-se uma tendência dos quadros mais severos surgirem mais precocemente.

A relação entre crianças com CF e a possibilidade de desenvolvimento de epilepsia já foi motivode grande discussão. O tratamento profilático já foi amplamente indicado e utilizado. Atualmente não se tem uma relação clara entre as duas entidades, sendo possível observar que crianças com CF têm chance de desenvolvimento de epilepsia apenas ligeiramente maior que a população geral, situando-se entre 2% a 7%. Já quando se consideram apenas os quadros de crises complexas, focais, prolongadas erecorrentes em 24 horas, a incidência chegou a 49%.




3. Fisiopatologia

Os quadros de CF ocorrem por uma combinação de fatores que demonstram porque essas são um fenômeno da primeira infância, sendo sobrepujadas com o crescimento. A imaturidade do córtex cerebral leva a maior susceptibilidade a convulsões pelo baixo limiar decorrente provavelmente da excitação aumentada e inibiçãodiminuída, associada à susceptibilidade da criança a infecções, propensão à febre alta associados a componentes genéticos. Estudos têm mostrado que existe uma relação entre CF e o risco de epilepsia, como descrito acima, e ainda que convulsões recorrentes podem ser deletérias ao desenvolvimento intelectual, indicando a necessidade de controle e acompanhamento dos pacientes.



4.Diagnóstico

As CF estão geralmente associadas a quadros infecciosos, com predominância das IVAS, mas também ocorrendo concomitantes a otites, gastroenterites e ITU, com grande predominância dos quadros virais sobre os bacterianos.

Cerca de 20% das CF são do tipo complexa, apresentando as características acima descritas. Os demais 80% são do tipo simples ocorrendo, no entanto, quadros relatadospelos cuidadores como hipotônicos. Estes quadros geralmente apresentam uma fase clônica, rápida, que passa despercebida.

Não existe consenso sobre a relação desencadeante entre febre e CF. Uma primeira linha de hipóteses relaciona os eventos à velocidade da elevação da temperatura, onde a febre de instalação rápida seria o principal fator desencadeante. Uma segunda linha de abordagem relaciona aCF principalmente à intensidade febril, com episódios desencadeados a partir de determinada temperatura.

Ao longo da anamnese e do exame físico, a principal abordagem imediata deve ser a exclusão de um possível quadro infeccioso do sistema nervoso central. Durante infecções, a febre apresentada pode levar à hipótese de CF, mascarando um evento possivelmente mais perigoso. Devem ser...
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