Crise no ensino de ciências

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CRISE NO ENSINO DE CIÊNCIAS?[1]
(Crisis in science teaching?)
Gérard Fourez
gerard.fourez@fundp.ac.be
Dept "Sciences, Philosophies, Sociétés"
Cellulle EMSTES (Enseignement des Mathématiques et des Sciences,
Technologies, Ethiques, Société.
Facultés Universitaires de Namur
B 5000 Namur, Belgium
Resumo
Este trabalho propõe uma revisão crítica sobre os principais problemasenfrentados pelo ensino de ciência na atualidade. Ele realiza uma reflexão sobre os objetivos da educação científica e os desafios presentes na escola. As conclusões apontam para a necessidade de uma redefinição da ciência escolar e na forma de condução das atividades de ensino.
Palavras-chave: ensino de ciências; principais problemas; redefinição da ciência escolar; atividades de ensino de ciênciasAbstract
This work proposes a critical revision on the principal problems faced at the present time by the teaching of science. It accomplishes a reflection on the objectives of the scientific education and the present challenges in the school. The conclusions appear for the need of a new definition of school science and in the form of conduction of the teaching activities.
Keywords: scienceteaching; main problems; redefining school science; science teaching activities
Introdução
Há uns quinze anos, eu não ousaria dizer que o ensino de Ciências estava em crise. Contentava-me por dizer que era a minha opinião. Hoje quando todo mundo em meu país o afirma como evidente – desde os decanos das faculdades de ciências aos porta-vozes do patronato, passando pelo Ministro da Educação[2] -eu me sinto menos ridículo dizendo a mesma coisa. E, como os especialistas do O.C.D.E. dizem a mesma coisa[3], creio que se pode razoavelmente afirmar que esta é a situação no mundo industrializado. Este artigo, entretanto, é marcado por seu lugar de origem: a Bélgica de língua francesa, com, em filigrana, a extrapolação - mutatis mutandis - ao mundo industrializado.
O que é menos fácil é dar umainterpretação a esta crise. Ou ainda conceituar uma série de controvérsias que a cercam. Este artigo evidenciará como, em torno desta crise, gravitam atores que têm interesses às vezes conflitantes e alimentam controvérsias tanto sobre os objetivos quanto sobre os meios da educação nas ciências.
Principais fatores da crise do ensino de ciências no mundo industrializado
Entre os atoresdominantes desta crise, eu cito: os alunos, os professores de ciências, os dirigentes da economia, os pais, os cidadãos (trabalhadores manuais ou outros), etc.
As posições dos alunos clarearam nestes últimos anos. O aumento de inscrições nas universidades de língua francesa da Bélgica mostra que eles rejeitaram as faculdades de ciências e até os ramos mais ligados à ação, mas com forte conteúdocientífico (engenheiro, por exemplo). Não que os jovens subestimem a importância e o valor das ciências. Enquetes mostram que eles os consideram a maior parte do tempo como realizações humanas de primeira importância. Eles não se abalam muito pelos argumentos dos que imputam aos cientistas a bomba atômica, a poluição e outros males. Mas eles não estão preparados para se engajar em estudos científicos. Suaadmiração pelos cientistas conduz os jovens a felicitá-los pelo seu maravilhoso trabalho, e nada mais...
Muitos pensam que – e esta é notadamente uma interessante análise produzida pelo O.C.D.E.[4] – no centro da crise, haveria uma questão de sentido[5] . Os alunos teriam a impressão de que se quer obrigá-los a ver o mundo com os olhos de cientistas. Enquanto o que teria sentido para eles seriaum ensino de Ciências que ajudasse a compreender o mundo deles. Isto não quer dizer, absolutamente, que gostariam de permanecer em seu pequeno universo; mas, para que tenham sentido para eles os modelos científicos cujo estudo lhes é imposto, estes modelos deveriam permitir-lhes compreender a “sua” história e o “seu” mundo. Ou seja: os jovens prefeririam cursos de ciências que não sejam...
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