Crime e desvio

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  • Publicado : 25 de setembro de 2012
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A sociologia, como ciência positiva, não pode fazer julgamento de valor. Ela pode definir desvio e dizer que essa noção é difícil de ser definida, mas, ao entrar na discussão sobre crime, se um fato supostamente desviante é certo ou não e se a prisão de seu ator foi ou não injusta, o discurso social entrou num campo de investigação que não é o seu, pois, se um criminoso deve ou não ser preso, nãoé uma questão sociológica, mas um julgamento. A sociologia pode dizer que o desvio é a fuga dos padrões normais de aceitabilidade, mas não pode julgar esses padrões. Ela pode até apresentar uma opinião, contanto que apresente a contrária e permaneça imparcial quanto a essas opiniões.
Giddens, no seu texto "Crime e Desvio", justifica que "a noção de desviante não é fácil de ser definida"*, com oexemplo do hacker Mitnick, que é reverenciado por uns e desprezado por outros. Hitler também foi desprezado pelo mundo, mas, até hoje, é reverenciado, pelos neo-nazistas. Hitler não pode ser considerado um desviante, pois há um grupo que o considera um mártir, um herói que morreu por sua causa de melhorar o mundo, eliminando todos os seres sujos e inferiores, como os judeus, que são mentirosos efracos, e criaram um falso Deus para encobrir essa fraqueza, e como Hitler já advertira, os judeus estão cada vez mais no controle da máquina burocrática, e isso está trazendo o inferno no mundo, nas palavras do neonazista Steve**. Foi encurralado e preferiu morrer fiel à sua causa a se render.
Mitnick diz que "Hacker é um termo de honra e respeito. É um termo que descreve uma habilidade, e nãouma atividade, da mesma forma que a palavra 'médico'."*** 'Médico' descreve uma atividade. O médico deve ser formado em medicina e, ainda que eventualmente tenha menos habilidade que outrem que não fez o curso de medicina, ele não deixa de ser médico por isso, e a pessoa que eventualmente tenha mais habilidades que o médico não vira médico por causa disso. Analogicamente, ter o conhecimento teóricode hackeamento não torna o indivíduo um hacker. Programadores têm essa habilidade, mas efetivamente pôr essas habilidades em prática é o que caracteriza o hacker. Só porque alguém tem uma habilidade, não quer dizer que a pessoa exerça essa atividade, e esse conceitos são, de certa forma, próximos, mas distintos. Policiais têm a habilidade de arrombamento, às vezes até mais habilidade que osarrombadores, mas não são como estes, pois não exercem essa atividade. Um conhecido contou-me uma vez que ele estava com a polícia na casa de um político, buscando dinheiro de corrupção, e, ao se depararem com uma gaveta trancada, o político alegou: "Este armário era de minha filha, só ela possui a chave, mas já deve tê-la perdido. Esse armário está trancado há anos." O policial sacou uma gazua e logoabriu o armário, revelando o dinheiro. No caso dos hackers, o que acontece é que empresas podem contratá-los para que que eles trabalhem como seguranças, dessa mesma forma que pode ser concedido perdão judicial a um bandido que traia a quadrilha e ajude a polícia.
"Os hackers se antecipam em ressaltar que a maior parte de suas atividades não é criminosa. Interessam-se, sim, primeiramente, emexplorar os limites da tecnologia da computação, tentando revelar furos e descobrir até que ponto é possíel penetrar em outros sistemas de computadores. Uma vez descobertas as falhas, a "ética hacker" exige que as informações sejam compartilhadas publicamente."**** Seria mais ou menos como ver um pequeno furo no muro do seu vizinho, pegar uma broca, abrir um rombo e então anunciar com um megafone àfrente da casa que há um rombo no muro. É diferente de um empregado da casa reparar um buraco no muro e avisar o seu patrão, para que um ladrão não entre pelo buraco no meio da noite.
Mitnick ainda diz "No computador, me sinto como alguém que pega um carro para uma corrida em alta velocidade. Não me considero um ladrão."***** Não há problema algum em correr num autódromo; correr na rua, porém, é...
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