Criação de valor e estratégia de operações: um estudo do setor químico e petroquímico brasileiro

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CRIAÇÃO DE VALOR E ESTRATÉGIA DE OPERAÇÕES: UM ESTUDO DO SETOR QUÍMICO E PETROQUÍMICO BRASILEIRO
Ivan Ricardo Gartner Programa de Pós-Graduação em Administração, Universidade Metodista de São Paulo, Rua do Sacramento, 230, Bl. Capa, Rudge Ramos, CEP 09640-000, São Bernardo do Campo, SP, Brasil, e-mail: irgartner@hotmail.com Fabio Gallo Garcia Departamento de Contabilidade, Finanças e Controle,Escola de Administração de Empresas de São Paulo, Fundação Getúlio Vargas, Av. 9 de Julho, 2029, 10º andar, Bela Vista, CEP 01313-902, São Paulo, SP, Brasil, e-mail: fgallo@fgvsp.br Recebido em 04/7/2005 Aceito em 26/10/2005

v.12, n.3, p.459-468, set.-dez. 2005

Resumo
Este artigo trata da integração da estratégia de operações às finanças, ao evidenciar a necessidade do gestor de operações deplanejar uma estratégia voltada à criação de valor na companhia. O trabalho apresenta uma metodologia para o cálculo do valor econômico adicionado das empresas químicas e petroquímicas brasileiras para os anos de 2001 e 2002, período de profundas transformações no perfil competitivo do setor. Os resultados de 2002 validaram a hipótese central do trabalho e forneceram um instrumento de simulaçãopara identificar o limiar da responsabilidade do gestor de operações com a criação de valor em uma organização.
Palavras-chave: estratégias de operações, criação de valor empresarial, setor químico e petroquímico brasileiro, regressão logística, simulação do valor empresarial.

1. Introdução
A preocupação com a criação de valor nas companhias tem tomado vulto nas últimas décadas, especialmenteapós a acentuação da luta competitiva ocasionada pelo atual fenômeno da globalização. No mundo integrado pela rede mundial de computadores e pelas demais novidades e facilidades das telecomunicações, os processos de negócios podem, num piscar de olhos ou por um clique no teclado, deslocar-se para o ambiente que oferecer maiores níveis de rentabilidade aos seus proprietários, atendendo às premissasdo custo de oportunidade do capital. Esse cenário competitivo induz os gestores a realçarem, aos proprietários e investidores de suas companhias, que sua estratégia de operações cria valor, ao invés de destruir. No caso da empresa criar valor, o gestor precisa apresentar aos seus superiores o planejamento de estratégia que vise sua sustentabilidade e aumento a longo prazo. Em situações em que aempresa estiver destruindo valor, o gestor deverá apresentar estratégia para a recomposição desse valor a curto e médio prazo. Essas estratégias têm encontrado nos sistemas de avaliação multidimensional, do tipo Balanced Scorecard (Kaplan e Norton, 1996), a oportunidade de união de seus objetivos com as ações necessárias para alcançá-los nas perspectivas: Financeira, de Clientes, de ProcessosInternos, de Aprendizado e Crescimento. Por essa abordagem, todas as perspectivas devem ser sistematizadas por meio de uma cadeia de relações de causas e efeitos, que culminam com seus impactos na criação do valor da empresa. No entanto, a medida da criação ou destruição de valor é, eminentemente, uma medida monetária, que diz respeito a uma das últimas linhas do demonstrativo de resultados dacompanhia, a qual concentra a maior atenção dos proprietários, acionistas, investidores e financiadores. Embora seja uma medida monetária, a utilização e manuseio da informação sobre a criação e destruição de valor não é mais privilégio dos gestores financeiros. Também os gestores de operações devem estar envolvidos direta-

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Gartner e Garcia − Criação de Valor e Estratégia de Operações: UmEstudo do Setor Químico e Petroquímico Brasileiro

mente com o acompanhamento e monitoramento desses valores que traduzem a criação de valor na companhia. A medida monetária da criação de valor de uma organização resulta da combinação do desempenho gerencial com sua estrutura financeira, situação tributária e quantidade de ativos não-operacionais, tais como as aplicações financeiras. Como isso...
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