Crack

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  • Publicado : 21 de abril de 2012
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Não podemos desistir de salvar os usuários de crack
A existência de um Cadastro Nacional de Clínicas para Usuários de Crack, do qual constariam apenas aquelas fiscalizadas pelo governo, ajudaria dependentes químicos e suas famílias a enxergarem uma luz no fim do túnel
Chico Vigilante
O tipo de tratamento dado a dependentes de crack em clínicas públicas ou privadas, um incontável número dejovens e adultos, presentes e assustadoramente em crescimento na maioria dos municípios brasileiros, é uma questão sobre a qual devemos nos debruçar com lentes de aumento para analisar e buscar soluções.
Essas pessoas, como qualquer um de nós, merece respeito, necessita de amor e principalmente de experts no assunto, psicólogos , médicos e terapeutas, que lhes proporcionem tratamento especializado ede resultados, para que possam reconquistar o direito de viver dignamente. Os usuários tem dentro de si uma fissura psicológica enorme que por alguma razão foi preenchida pelas drogas. Eles tentam compensar sofrimento com uma felicidade ilusória e momentânea que a longo prazo os transforma em zumbis, sem vontade própria.
O que devemos ter em mente sempre é que o usuário de crack não precisa maisser maltratado, não precisa mais sofrer para aprender nada. O que ele necessita neste momento é de ajuda. Ele tem família, mãe, pai, filhos, amigos. Mas esta família extensa não está preparada para enfrentar os efeitos devastadores desta droga sobre a mente humana e os comportamentos daí advindos. Esta família, rica ou pobre, muitas vezes desiste do "seu usuário", por não entender o problema, poracreditar que ele é mal caráter, é uma pessoa perdida, que não tem mais salvação.
O Estado, no entanto, não pode dar esta batalha por vencida. É seu dever prover e muito mais que isso fiscalizar de maneira eficaz as clínicas de tratamento de dependentes de crack no país para que não ocorra, na prática e no imaginário da sociedade brasileira o que já acontece hoje em relação à nossa populaçãocarcerária: não acreditamos mais que nossos presídios eduquem ou façam do apenado uma pessoa melhor após o cumprimento da pena. Não queremos que isso aconteça com nossos dependentes químicos. Não podemos permitir que isso ocorra.
Após tomar conhecimento das conclusões da 4ª Inspeção Nacional de Direitos Humanos produzida pela Comissão Nacional de Direitos Humanos do Conselho Federal de Psicologia(CFP) sobre vistorias em 68 instituições de internação para usuários de drogas, em 24 estados brasileiros e no Distrito Federal, realizadas em setembro de 2011, passei a olhar o problema com maior preocupação. O documento dá conta de violações como castigos físicos e psicológicos, humilhações sociais, desrespeito à escolha religiosa e orientação sexual, dentre outras. Na cidade de Bragança Paulista,em São Paulo, usuários da Clínica Gratidão relataram ser obrigados a cavar uma cova com a dimensão do próprio corpo e escrever repetidamente trechos da Bíblia como castigo por indisciplina. Alguns acusaram a existência de um pedaço de madeira com a palavra gratidão com o qual eram surrados.
Em conversa pessoal com um usuário de crack há dois anos, um artista plástico de 48 anos, quevoluntariamente se internou na Clínica Salve a Si, numa área rural de Goiás, região do entorno de Brasília, ele me relatou que a maioria dos procedimentos previstos no site da instituição como tratamento, na verdade não eram oferecidos no local. Não havia médicos ou psicólogos de plantão, nem mesmo em visitas periódicas, a comida era de péssima qualidade e em quantidade insuficiente, e ele se viu dividindo oespaço e dormindo em quartos de beliches com seis outros homens, dentre eles homicidas, estupradores, com várias passagens pela polícia etc, o que lhe causou muita insegurança.
Aliado a isso a direção da clínica cobrou uma mensalidade de mil reais e se negou a devolver o dinheiro quando depois de uma semana a família decidiu retirá-lo de lá, a pedido da própria direção da clínica que não tinha...
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