Crônica narrativa com exercícios

Páginas: 6 (1423 palavras) Publicado: 25 de junho de 2011
Língua Portuguesa I
20 questões



01
02
03
04
05
06
07
08
09
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31
32
33
34
35
36
37
38
39
40
41
42
43
44
45
46
Vou atribuir esta história ao Rubem Braga. Primeiro, porque acho que foi ele que me contou há
muito tempo. Segundo,porque, se não foi, deveria ter sido, já que a história tem toda a cara de
Rubem Braga.
Pois bem, antigo apaixonado pela praia e observador atento de seus freqüentadores, Rubem
reparava num casal de velhinhos que todo dia, ao final da tarde, passeava na calçada. Iam de mãos
dadas, olhando as ondas, trocando umas poucas palavras, sem pressa, comoquem já se disse tudo o
que havia de importante para dizer. Às vezes levavam um cão, outras vezes iam sozinhos. Tinham um
ar doce e apaziguado que encantava Rubem. Afinal, dizia-se o cronista olhando o casal, o amor é
possível e, na nossa pequena medida, pode até mesmo ser eterno.
A vida quis que um dia Rubem conhecesse uma jovem senhora, a qual serevelaria adiante
parente do casal de velhinhos. E foi por ela, numa tarde em que louvava encantado o amor daqueles
dois, que Rubem ficou sabendo da verdade. Há muito não se amavam, viviam uma vida de fachada
por causa dos filhos e netos. Na verdade, ele a odiava e ela o desprezava.
Lembrei-me desta história ontem, viajando de ônibus. Sacolejávamo-nos coletivamenteirmanados em plena normalidade quando, numa parada, o casal subiu. Eram velhinhos os dois, de
uma faixa em que os anos haviam perdido a definição, e já não tinham idade aparente, transformados
apenas em demonstração de sobrevivência. Cabeças brancas, ossaturas frágeis, uma hesitação nos
gestos, e magros. Assim eram parecidos. E mais além, naquilo que otempo, trabalhando sobre os
rostos outrora jovens, havia acrescentado, moldando em carne, rugas e expressão as semelhanças que
um refletia sobre o outro, no interminável jogo de espelhos da convivência.
Pelo retrovisor, o motorista viu-lhes as cabeças brancas e a fragilidade, e, com imprevisível
delicadeza, esperou, para arrancar até que estivessem seguros. Deesguelha, os passageiros do ônibus
olhavam para eles. Viram quando ele deu a vez para que ela sentasse à janela, quando a ajudou com a
bolsa, repararam no gesto instintivo com que se aproximaram um do outro no assento. Vagos sorrisos
de ternura suavizaram os lábios dos passageiros do ônibus. Já não sacolejávamos em plena rotina.
Algo de diferente havia acontecido.
Algunsquarteirões adiante, ele puxou a cordinha, e repetiu-se a cerimônia. O motorista esperou
solícito. Ele cedeu a vez à mulher, ajudou-a com a bolsa, foi conduzindo-a pelo braço até a porta, e
desceu à sua frente para ajudá-la a saltar. Ninguém se impacientou. Os que estavam sentados do lado
direito do ônibus ainda ficaram a vê-los na calçada, enquanto se encaminhavamhesitantes, de braço
dado rumo à esquina.
Ao meu lado, o senhor corpulento não resistiu. Sorriu abertamente, e saiu-se num longo discurso
de exaltação do amor e das suas possibilidades nesse mundo de máquinas e violência. Outros
passageiros comentavam entre si. O coração coletivo daquele ônibus seguia agora mais leve, como se
tivesse assistido à confirmação de um milagre.Lembrei-me então da história do Rubem. Ele a odiava e ela o desprezava. Nada, além dos gestos
delicados, garantia à pequena população do ônibus que aquele casal se amava realmente. E os gestos
delicados podem ser apenas reflexo de formação, como demonstra qualquer mordomo. O amor
encontra outros meios de se manifestar. Mas nós vimos aquilo que queríamos ver. Para as...
Ler documento completo

Por favor, assinar para o acesso.

Estes textos também podem ser interessantes

  • Cronica narrativa
  • O que é uma crônica narrativa?
  • Estilo de Crônica Narrativa
  • cronicas: fronteiras de uma narrativa historica
  • Narrativas curtas: conto e crônica
  • Estrutura narrativa e exercícios
  • Doenca cronica e Exercicio Fisico
  • Exercicios gerai narrativa

Seja um membro do Trabalhos Feitos

CADASTRE-SE AGORA!