Cosmologia africana e os desafios de desvincular conceitos ocidentais

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  • Publicado : 4 de janeiro de 2013
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Autor: Felipe Oliveira Dias

Cosmologia Africana e os Desafios de Desvincular Conceitos Ocidentais

O presente ensaio tem por objetivo discutir aspectos da religiosidade e cosmologia africanas, e, desse modo, apresentar tanto a “religião tradicional” africana quanto a conflitualidade existente entre a religião sob a ótica Ocidental e o fenômeno religioso presente na em determinadas regiõese comunidades da África.
Assim, a partir da análise de um período histórico datado a partir de meados do século IX, passando pelo período de colonização africana pelos europeus, pretende-se apresentar a relação entre as sociedades africanas e a religião, e também a relação entre os colonizadores e a cosmologia que poderia se mostrar intrigante aos olhos europeus, uma vez que os ritos e aspectospresentes nela são bem diferenciados daqueles presentes na religião ocidentalizada.
A partir de tais pontos, apresentam-se vários questionamentos; Até que ponto a religião condiciona a vida em sociedade dos grupos africanos pré-coloniais? Qual é a relação entre sagrado e profano para tais povos? É possível se chegar à origem da religião africana? Que aspectos das relações econômicas e sociaisdos africanos estão sob influência religiosa? Como a colonização dos europeus interfere na cosmologia africana? Mas principalmente, este ensaio discutir por que as religiões africanas se mostram tão intrigantes aos olhos ocidentais.
Origens das crenças Africanas
Para os europeus colonizadores, ou até mesmo muitos estudiosos do período em que a África era colonizada, as crenças africanas podemparecer irracionais, visto que envolvem várias coisas diferentes dos ritos religiosos ocidentais. Desse modo, dificilmente um observador dos atos religiosos e rituais africanos acredita no êxito destes, então se pergunta o porquê de muitos povos realizarem os rituais. Mas como afirma Appiah, seria necessário problematizar esses atos por uma questão diferente, e passar a buscar a origem da crença,como foi que esta passou a existir, e não buscar apenas em que consiste essa crença, e desse modo, se passaria a compreender melhor a razão dos rituais (APPIAH, 1997, p 157). O próprio autor responde tal questão em sua obra com um argumento simples: a crença em tais rituais existe porque foi passada para o indivíduo, este já nasceu em um espaço com uma crença pré-existente, assim como acontece nareligião cristã. Portanto, ao nascer em uma cultura com uma crença já dada, é natural compartilhar desta, e mesmo que os rituais pareçam irracionais, quem adota a crença provavelmente não aconteceram muitas coisas que desmintam a veracidade dela, então ela permanece viva n cultura (APPIAH, 1997, p. 168).
A religiosidade se apresenta como uma herança passada e geração para geração, mas comosupracitado, é possível explicar de forma simples a origem da crença de determinado indivíduo, porém não a origem da religião em si.

Conflitos ideológicos: religião sob a ótica ocidental x fenômeno religioso dos habitantes do continente africano
De acordo com Anderson Ribeiro Oliva, o fenômeno religioso pode ser entendido como relações estabelecidas entre os seres humanos e o metafísico, e estápresente na humanidade há milhares de anos, e, além disso, exerce influência também sobre relações sociais e políticas. (OLIVA, 2002, p. 6). Porém, mesmo ainda mantendo os aspectos social e metafísico da religião, a sociedade ocidental contemporânea passa a reduzir o aspecto social da religião. Oliva utiliza como exemplo de abordagem ocidental da religião o autor René Guénon. Segundo critériosafirmados por este, um fenômeno deve apresentar dogma, moral e culto para ser classificado como religioso (GUÉNON, 1988 apud OLIVA, 2002, p.10) e desse modo, seria difícil aplicar o conceito de religião fora do judaísmo, cristianismo ou islamismo. Nota-se a aplicabilidade do conceito “religião” limitado para explicar várias práticas de determinadas sociedades, portanto se torna difícil a compreensão...
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